Apoio a Berlusconi volta a cair após plano de austeridade

O apoio ao primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, voltou a cair e alcançou um novo recorde de baixa, de acordo com uma pesquisa de opinião que demonstra o crescente descontentamento no país com o controverso plano de austeridade do governo.

CATHERINE HORNBY, REUTERS

05 Setembro 2011 | 10h42

A sondagem realizada pelos pesquisadores Demos & PI por encomenda do diário La Repubblica, de tendência esquerdista, mostrou que a aprovação ao governo caiu para 22 por cento no início de setembro enquanto em junho estava em 27 por cento.

Num momento em que os títulos italianos estão sob nova pressão dos mercados nesta segunda-feira, em meio a dúvidas sobre as exauridas finanças públicas da Itália, a pesquisa revela a fraqueza do governo de Berlusconi quando luta para controlar uma dívida pública de 1,9 trilhão de euros (2,7 trilhões de dólares).

O maior sindicato da Itália, o CGLIL, convocou uma greve geral para a terça-feira em protesto contra as medidas de austeridade, também criticadas pela principal federação patronal do país, a Confindústria, que as tachou de "fracas e ineficazes".

Berlusconi tem clara maioria parlamentar, mas sua coalizão de governo está abalada por divisões internas e amargas rivalidades pessoais. Há constante especulação de que a coalizão possa se esfacelar antes de o governo completar seu mandato de cinco anos, em 2013.

A pesquisa mostrou que a aprovação pessoal a Berlusconi, que tem sido alvo de vários escândalos pessoais, caiu de 30 por cento em fevereiro e 26 por cento em junho para 23 por cento em setembro. Uma queda semelhante atingiu o político Umberto Bossi, líder da Liga Norte, aliada de Berlusconi.

De acordo com a sondagem, o ministro da Economia, Giulio Tremonti, antes considerado uma garantia da estabilidade financeira da Itália, perdeu muito apoio. Sua taxa de aprovação desabou de 54,5 por cento para 38 por cento.

A Itália se encontra no centro da crise da dívida na zona do euro desde o início de julho quando os mercados passaram a se preocupar com sua combinação de dívida pública estimada em 120 por cento do PIB e uma das mais lentas economias da Europa.

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