Após 4 meses, falhas e questões óbvias marcam caso Madeleine

Jornal britânico questiona principais lacunas no desaparecimento da menina de 4 anos em Portugal

Agências internacionais,

10 de setembro de 2007 | 14h25

A edição do jornal britânico The Times desta segunda-feira, 10, elencou as questões mais importantes e que ainda não foram esclarecidas sobre o desaparecimento de Madeleine.   Veja também: Promotoria recebe inquérito contra pais de Madeleine O Times questiona primeiramente o que os pais da menina, Kate and Gerry McCann, estariam fazendo quatro horas antes de reportar o suposto seqüestro da filha de 4 anos. O casal afirma que estava num restaurante com amigos próximo do quarto em que a garota dormia com os irmãos gêmeos de 2 anos, Sean and Amelie.   Ainda não está claro se mais alguém além dos pais chegou a ver a menina viva entre 18 e 22 horas, quando foi denunciado o desaparecimento. Embora uma criança possa ser morta facilmente, levaria tempo para ocultar o cadáver e as principais evidências. Outra questão levantada pelo jornal seria os motivos que levaram Kate a perguntar "eles a levaram?" quando descobriu que Madeleine tinha sumido. A mãe acreditar que mais de uma pessoa teria seqüestrado a menina levou a polícia portuguesa a desconfiar que Kate saberia quem levou a criança ou quem auxiliou na remoção do corpo do quarto do hotel. Autoridades contam, porém, com a possibilidade de que a afirmação seja apenas fruto da desorientação de uma mãe desesperada. Os passos dos amigos do casal McCann também são dúvida na investigação do caso. O médico Russell O’Brien teria deixado o restaurante por 30 minutos para verificar se a filha estava dormindo e retornou minutos antes do desaparecimento de Madeleine ser denunciado.   Sua mulher, Jane Tanner, foi a única testemunha que teria visto um homem carregando uma criança do quarto dos McCann. Existe ainda uma confusão sobre os horários de chegadas e saídas dos outros casais que jantaram com os pais de Madeleine naquela noite. Autoridades tentam ainda descobrir como os irmãos que dormiam com a menina não acordaram enquanto Madeleine foi levada. Sean e Amelie permaneceram dormindo durante o ataque histérico da mãe ao notar o desaparecimento da filha mais velha e ao mesmo tempo em que as buscas eram realizadas por dezenas de pessoas no hotel. O casal nega que os filhos tenham sido sedados naquela noite. A mãe de Madeleine foi interrogada durante 11 horas na quinta-feira passada e mais cinco na sexta, assim como seu marido, ambos sob suspeita de assassinato acidental e ocultamento do cadáver, segundo a polícia portuguesa. Ambos afirmam não ter participação no desaparecimento da menina. Embora não tenha sido feita uma declaração oficial, a Polícia portuguesa deixou vazar à imprensa que os indícios contra o casal eram manchas de sangue e outras amostras biológicas encontradas no automóvel, nas roupas e em objetos ligados ao casal, além de sinais da presença de um cadáver detectados no apartamento. Kate McCann disse ao jornal Sunday Mirror que foi pressionada a confessar a morte acidental da filha. "Querem que eu minta, estão armando contra mim. Estão basicamente dizendo (que) se confessar que Madeleine sofreu um acidente e que eu entrei em pânico, receberia pena de dois ou três anos. Isso é ridículo, o pior pesadelo." Depois de terem sido considerados suspeitos pelo desaparecimento da própria filha, os pais anunciaram que devem se consultar com o advogado Michael Caplan, que defendeu o ex-ditador Augusto Pinochet. Caplan ganhou fama ao conseguir evitar que Pinochet fosse extraditado do Reino Unido para a Espanha. O procurador português destinado ao caso Madeleine deverá decidir nos próximos dias se é necessário interrogar novamente Gerry e Kate McCann, pais da menina britânica desaparecida, ou apresentá-los ao juiz, informaram fontes judiciais. João Cunha de Magalhães, que a partir desta segunda-feira assume a responsabilidade de avaliar as investigações e os interrogatórios feitos pela Polícia Judiciária, decidirá a solidez das suspeitas contra os McCann e os indícios encontrados pelos investigadores sobre a hipotética morte da menina.

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