Após atacar separatistas, Geórgia acusa Rússia de retaliação

Tropas atacam capital da Ossétia do Sul; tensão desperta temores de nova guerra na região do Cáucaso

Agências internacionais,

08 de agosto de 2008 | 07h53

Enquanto as tropas da Geórgia lançam uma das maiores ofensivas militares contra os separatistas da província da Ossétia do Sul, a ex-república soviética acusou a Rússia de bombardear o seu território. A capital da região, Tskinvali, foi ocupada por tropas da Geórgia nesta sexta-feira, 8, numa operação destinada a "restaurar a ordem constitucional" na região,   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia e a relação russa   Segundo a Associated Press, o presidente Mikhail Saakashvili disse na televisão que a Rússia promoveu ataques aéreos em vários vilarejos e outras instituições civis. Grandes explosões foram ouvidas, principalmente nos vilarejos de Gori e Avnevi. Um separatista denunciou que 15 civis foram mortos na ofensiva. Há relatos de que centenas de combatentes da Rússia e da outra região separatista da Geórgia, a Abkházia, estariam se dirigindo à Ossétia do Sul para ajudar as forças separatistas.   A Ossétia do Sul e a Abkházia, outra província georgiana, lutam desde os anos 1990 para separar-se da Geórgia e formar uma nação independente. Contam com a simpatia da Rússia, que se tornou mais explícita desde que os georgianos começaram uma campanha para entrar na Otan. Grande parte da população da região desfruta atualmente de cidadania russa. Moscou empenha-se, no momento, em levar os dois lados a uma mesa de negociações. Mas há temores, entre líderes separatistas, de que o avanço das forças da Geórgia leve o governo russo a um envolvimento direto na região   O comandante das forças de paz russas na Ossétia do Sul afirmou que forças blindadas georgianas entraram em Tskhinvali, capital da região separatista. "Há carros blindados georgianos em Tskhinvali. Há combates violentos por toda a cidade", disse o militar russo. Os confrontos começaram poucas horas depois de acertado um cessar-fogo em conversações mediadas pela Rússia. Cada lado culpa o outro pela quebra do cessar-fogo.    O Ministério da Defesa russo advertiu a Geórgia de que defenderá seus soldados das forças de paz e também os cidadãos russos na Ossétia do Sul, onde quase a totalidade da população tem passaporte russo. "Os dirigentes georgianos se lançaram em uma aventura suja. O sangue, derramado na Ossétia do Sul, recai sobre essas pessoas e seu entorno", diz o comunicado, divulgado pelo serviço de imprensa da Defesa russa. Pouco antes, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, tinha ameaçado a Geórgia com "medidas de resposta" pela "agressão militar" contra a região separatista georgiana da Ossétia do Sul.   A Geórgia acusa a Rússia de armar os rebeldes da Ossétia do Sul, que tentam a separação desde a guerra civil da década de 90, quando a região declarou sua independência. Moscou nega essas acusações. Além disso, a Rússia está insatisfeita com a ambição da Geórgia de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan, a aliança de defesa ocidental), e acusou o país de concentrar suas forças em torno das regiões separatistas, onde tropas de paz russas estão estacionadas.   Confrontos   A violência despertou temores de uma nova guerra na volátil região do Cáucaso. A ONU convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança para discutir a escalada da tensão na região, mas o encontro fracassou em emitir um comunicado pedindo a renúncia do uso da força dos dois lados.   O prefeito de Tbilisi, Giorgi Ugulava, afirmou que as tropas controlam "70% de Tskhinvali e das aldeias divisórias" e confirmou que os soldados abrirão um corredor para que mulheres e crianças deixem a região de conflito. "Abriremos um corredor para que todos possam sair de Tskhinvali. Àqueles que estão armados propomos depô-las e garantimos sua segurança", disse Ugulava. Segundo o prefeito, para esvaziar a cidade, as forças georgianas imporão um cessar-fogo unilateral entre as 15h e 18h (8h e 11h em Brasília, respectivamente).   (Com BBC Brasil)

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRússiaOssétia do Sul

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.