Após atentados em Istambul, premiê turco pede união no país

Justiça começa a julgar legalidade do partido governista; ataques que mataram 17 são prioridade, diz Erdogan

Agências internacionais,

28 de julho de 2008 | 09h39

O primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, pediu pela união do país nesta segunda-feira, 28, um dia depois dos atentados que mataram 17 e feriram mais de 150 pessoas em uma movimentada praça de Istambul, no mais mortífero ataque contra civis em quase cinco anos na Turquia. O premiê afirmou ainda que a decisão da Justiça sobre o possível fechamento do partido governista não é prioridade nesse momento.  Veja também: Polícia turca prende 3 suspeitos por explosõesAssista ao vídeo da AP no local da explosão   Os atentados aumentaram a tensão no país horas antes da maior corte turca começar a decidir se vai ou não proibir o partido governista. A primeira bomba foi detonada por volta das 22 horas (16 horas, pelo horário de Brasília) em uma lixeira num centro comercial de Gungoren, bairro periférico no lado europeu da cidade. Dez minutos depois - quando dezenas de pessoas se aproximavam do local para ajudar as vítimas -, uma segunda bomba, ainda mais potente, explodiu a poucos metros da primeira. Entre as vítimas estão cinco crianças. "Estamos lutando contra o terror entre 30 e 35 anos. Esta luta continuará até vencermos", disse Erdogan aos moradores da região atingida. "Hoje é um dia para a unidade", afirmou. Nesta segunda-feira, o Tribunal Constitucional, o mais alto corpo judicial turco, começou a deliberar sobre se o partido governista turco Justiça e Desenvolvimento (AK), ligado ao premiê, será fechado por engajamento religioso, ameaçando a tradição laica da Turquia. Além de apontar violações do secularismo turco por parte do AK, um juiz pediu a cassação de direitos políticos de mais de 70 integrantes do AK, incluindo o presidente Abdullah Gul e o primeiro-ministro Tayyip Erdogan.  "Nosso problema não é se o partido AK será fechado. Nosso problema neste momento é manter a unidade para que o nosso país siga em uma direção diferente", disse Erdogan. Investigadores tentam determinar quem estaria por trás do ataque. Na manhã desta segunda, o governador de Istambul, Muammer Guler, disse que os ataques pareciam ser obra de um grupo rebelde curdo, mas observou que as investigações ainda estavam em andamento. Os rebeldes imediatamente negaram envolvimento nas explosões. "Parece haver uma ligação com a organização separatista", disse Guler, numa menção do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por suas iniciais em curdo). "Estamos trabalhando nisso. Esperamos ter um resultado na primeira oportunidade", prosseguiu ele numa conversa com jornalistas.  O PKK rejeitou imediatamente vínculos com os atentados. "O movimento curdo pela liberdade nada tem a ver com esse evento. Ele não pode ser atribuído ao PKK", declarou o líder rebelde Zubeyir Aydar, citado pela agência de notícias Firat (pró-curdos). "Manifestamos nossas condolências aos familiares das vítimas e a todo o povo turco." Diversos atentados em Istambul foram atribuídos ao PKK nos últimos anos. O grupo rebeldes luta desde 1984 pela independência da região no sudeste da Turquia, na fronteira com o Iraque, habitada majoritariamente por curdos. Mais de 40 mil pessoas foram mortas no conflito. Vingança Horas antes do atentado, o Exército turco bombardeou alvos do PKK no norte do Iraque, como costuma fazer com freqüência. No início do ano, uma ampla operação militar matou centenas de rebeldes e chegou a provocar uma crise entre o governo da Turquia e do Iraque.  Apesar de a maioria dos confrontos ocorrerem em áreas rurais próximas da fronteira iraquiana, os rebeldes ocasionalmente atacam cidades turcas e resorts turísticos. Além dos deles, grupos de extrema esquerda e radicais islâmicos também já atacaram Istambul no passado.  O último ataque na Turquia ocorreu no dia 9, quando bombas explodiram próximo ao consulado americano em Istambul, deixando três guardas e três atiradores mortos. Apesar de nenhum grupo ter reivindicado a autoria do atentado, fontes policiais afirmaram que a rede terrorista Al-Qaeda estaria por trás do incidente. A Turquia enfrenta há meses uma crise política, já que o país está dividido entre a elite secularista, que controla o Exército, e partidários do partido islâmico moderado Justiça e Desenvolvimento (AKP), do governo. Muitos temem o fortalecimento do islamismo no país e o aumento de ataques dos extremistas curdos do PKK. A questão curda é um dos entraves da entrada da Turquia na União Européia, que pressiona o governo para aprovar uma série de medidas pró-curdas. Os curdos representam 20% da população de 72 milhões.

Tudo o que sabemos sobre:
Turquia

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.