Após conflito, africanos são retirados de cidade italiana

Medida foi tomada após dois dias de confrontos entre imigrantes e moradores de cidade no sul o país

estadao.com.br,

09 de janeiro de 2010 | 21h22

Imigrantes africanos esperam por ônibus que iria transferi-los para cidade vizinha a Rosarno

 

ROSARNO, Itália - Novecentos imigrantes africanos foram retirados neste sábado, 9, da cidade de Rosarno, na Calábria, sul da Itália, depois de dois dias de violentos choques com moradores locais que deixaram ao menos 67 feridos (31 imigrantes, 19 policiais e 17 moradores locais). Seis pessoas continuam hospitalizadas.

 

A maior parte dos imigrantes foi alojada em acampamentos em cidades vizinhas.

 

Rosarno fica na área mais pobre da Itália, vive basicamente da agricultura e sofre com desemprego crônico, na casa dos 20%. Segundo o chefe da polícia local, Mario Morcone, com do início da retirada dos imigrantes, a situação "lentamente volta à normalidade". As barricadas colocadas por moradores foram retiradas e a prefeitura, que havia sido invadida, foi liberada.

 

O chefe de polícia afirmou ainda que outros 65 imigrantes partem da cidade no sábado à noite e outros 150 devem ser transferidos até domingo.

 

Alguns preferiram ficar e se instalaram em uma fábrica de queijos abandonada nos arredores da cidade. Segundo a agência de notícias France Presse, estima-se que havia 2 mil imigrantes na cidade, vindos de Gana, Nigéria e outros países africanos. A maior parte deles estava no norte da Itália, perdeu o emprego por causa da crise econômica e rumou ao Sul em busca de trabalho em fábricas e colheitas.

 

Além dos imigrantes retirados, muitos outros foram vistos carregando malas nos ombros rumo a estações de trem ou a procura de caronas, segundo relato de Laura Boldrini, do Alto Comissariado para Refugiados da ONU na Itália, à agência de notícias Associated Press. "Mesmo aqueles que não receberam o pagamento por seu trabalho preferem partir e perder o dinheiro a ficar aqui. Essa é a medida do medo que eles sentem agora", disse Boldrini, por telefone.

 

Ao menos 67 pessoas ficaram feridas nos conflitos. Do total, 31 eram imigrantes

 

Ar comprimido

 

Tudo começou na quinta-feira, 7, à noite, quando moradores ainda não identificados atiraram, com armas de ar comprimido, contra um grupo de imigrantes, ferindo vários deles. Na manhã seguinte, comércio e escolas amanheceram fechados, enquanto quase 2 mil imigrantes tomaram o centro da cidade em uma manifestação que terminou com dezenas de feridos e carros vandalizados. Eles protestavam contra os ataques e contra as condições desumanas em que vivem e trabalham nessa zona dominada pela 'Ndrangheta, a máfia calabresa.

 

O conflito deu início da uma caça aos imigrantes na cidade, de 15 mil habitantes.

 

Um grupo de moradores locais invadiu a prefeitura para pedir a expulsão dos africanos. E um cidadão disparou contra os manifestantes a partir do teto de sua casa.

 

Este é mais um de uma série de episódios envolvendo tensões raciais na Itália. A coalizão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi inclui o partido Liga do Norte, abertamente anti-imigração. As medidas de repressão à imigração na Itália são alvo de críticas de defensores dos direitos humanos, de autoridades da ONU e do Vaticano. Em pesquisas de opinião, muitos italianos culpam os imigrantes por problemas como crimes e desemprego.

 

No sábado à tarde, em Roma, uma manifestação de apoio aos imigrantes terminou com enfrentamento entre policiais e manifestantes, que queriam cercar o Ministério do Interior, de acordo com relato de um fotógrafo da agência de notícias francesa.

 

Com agências internacionais

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