Após destituições, Exército derruba o governo da Mauritânia

Exército toma o palácio presidencial e prende presidente e premiê; soldados ocupam emissoras estatais

Agências internacionais,

06 de agosto de 2008 | 08h44

O Exército da Mauritânia perpetrou um golpe de Estado para depor o atual governo, que foi eleito democraticamente há pouco mais de um ano. Segundo confirmou o porta-voz presidencial Abdoulaye Mamadouba, o presidente Sidi Ould Cheikh Abdallahi e o primeiro-ministro Yahya Ould Ahmed el-Waghef foram detidos. A ação dos militares começou horas depois de os líderes do país terem afastado quatro militares do alto escalão das Forças Armadas mauritanas, prosseguiu o porta-voz.   Os chefes do Exército da Mauritânia anunciaram a criação de um Conselho de Estado presidido pelo chefe de Estado-Maior do Exército.   Mais cedo, a Agência Mauritana de Informação (AMI) informou que o presidente havia destituído o chefe de Estado-Maior do Exército, general Mohammed el-Ghazuani e o chefe da Guarda Presidencial, general Mohammed Ould Abdelaziz, o que causou o golpe. Segundo a rede catariana de televisão Al Jazira, Abdelaziz tomou o Palácio Presidencial em Nouakchott, capital do país.   A filha do presidente mauritano, Amal Mint Cheikh Abdallahi, confirmou por telefone à rádio francesa Radio France International (RFI) que seu pai está detido no edifício da Guarda Presidencial. Segundo ela, este é "um golpe de estado puro e duro". "Não podemos sair do palácio presidencial. O posto telefônico foi cortado, o que quer dizer que não podemos iniciar comunicações", afirma Amal, segundo a gravação divulgada pela RFI em seu site. A emissora não explica como estabeleceu o contato.   A sede da rede de televisão pública mauritana foi cercada por membros do Exército, e deixou de transmitir sua programação, segundo as fontes. O Exército também tomou algum dos edifícios governamentais da cidade. Segundo imagens transmitidas ao vivo pela Al Jazira, os militares tomaram também as principais ruas da capital do país.     A Mauritânia tem uma longa história de golpes de Estado. Abdallahi chegou ao poder em eleições em 2007, dois anos depois de um outro golpe militar. A tomada do Exército ocorreu depois de meses de instabilidade política no país. O presidente Abdallahi desfez duas vezes o gabinete de governo e, com a saída dos 48 parlamentares da coalizão do governo, sua base de poder foi prejudicada.   Segundo a BBC, Abdallahi chegou ao poder com a promessa de iniciar uma nova era de democracia no país. A Mauritânia é um dos países mais pobres do mundo e também o mais novo produtor de petróleo. O país coberto por desertos, ex-colônia da França com mais de três milhões de habitantes, conta com a renda do setor petrolífero.    'Redirecionar a democracia'   Os golpistas anunciaram a criação de um "Conselho de Estado" presidido pelo general Abdel Aziz e iniciaram contatos com embaixadores de países ocidentais, árabes e africanos, para explicar os motivos da tomada do poder, segundo fontes ligadas à cúpula militar. O "Conselho de Estado" afirmou, nesses encontros, segundo as fontes, que tomou o passo para "redirecionar o processo democrático" no país.   Dezenas de parlamentares mauritanos pertencentes tanto à maioria presidencial quanto à oposição manifestaram nesta quarta o apoio ao golpe, e convocaram para quinta-feira uma manifestação a favor do ato no centro da capital.   As tensões políticas começaram há cerca de três meses, quando um grupo de 39 deputados, a maioria deles pertencentes ao Pacto Nacional para a Democracia e o Progresso (PNDD-ADIL), dirigido pelo próprio primeiro-ministro Waghef, apresentaram uma moção de censura contra o governo.   A situação nas ruas, segundo testemunhas, é de normalidade, apesar da presença dos militares que ocuparam a sede da rádio e da televisão estatal e se desdobraram perante as principais dependências administrativas de Nuakchott.       (Matéria atualizada às 20h42)  

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