Após diálogo fracassado, oposição diz que enfrentará tiros na Ucrânia

Líderes da oposição ucraniana deixaram as conversações sobre a crise com o presidente Viktor Yanukovich, nesta quarta-feira, dizendo que ele não deu respostas concretas às suas exigências e orientando seus seguidores nas ruas a se prepararem para uma ofensiva da polícia.

RICHARD BALMFORTH E PAVEL POLITYUK, Reuters

22 de janeiro de 2014 | 19h36

Recorrendo a uma linguagem emotiva, depois das mortes mais cedo de pelo menos três manifestantes - dois deles por ferimentos de tiros - os três líderes oposicionistas que se reuniram com Yanukovich afirmaram estar prontos para enfrentar as balas da polícia.

O ex-boxeador e agora político Vitaly Klitschko disse a milhares de manifestantes reunidos na Praça Independência, em Kiev, que durante as três horas de diálogo o presidente não deu nenhuma resposta clara às suas exigências de que o governo seja destituído e a extensa legislação contra manifestações, eliminada.

"Hoje, eles (a polícia) estão se preparando para nos tirar da 'Maidan' (Praça Independência)", declarou Klitschko. "Temos de fazer tudo o que pudermos para impedi-los de nos retirar."

Ele pediu às pessoas que permanecessem durante a noite e defendessem a praça no centro de Kiev, e recebeu um estrondoso apoio de manifestantes quando afirmou: "Se eu tiver de ir (para as ruas) sob tiros, eu irei para lá sob tiros. Amanhã, se o presidente não responder... então partiremos para a ofensiva", disse ele.

O ex-ministro da Economia Arseny Yatsenuyk endossou suas palavras e se referiu às mortes por tiros durante a noite, que a oposição atribuiu à polícia, apesar dos desmentidos das autoridades. Um terceiro homem morreu depois de cair do alto do estádio de futebol do Dínamo quando brigava com a polícia.

"Não viverei com vergonha. Amanhã seguiremos adiante juntos. Se houver uma bala na testa, que seja. Será uma ação honesta, justa e corajosa", afirmou.

Essas foram as primeiras mortes desde a irrupção da crise em novembro, depois que Yanukovich abandonou um acordo comercial com a União Europeia em favor de uma ajuda financeira da Rússia, ex-força dominante no país na era soviética, para estimular a enfraquecida economia da Ucrânia.

As conversações diretas entre Yanukovich e a oposição foram a primeira iniciativa concreta para negociar o fim de dois meses de agitação civil, que culminaram em violentos confrontos entre um núcleo de manifestantes mais radicais e a polícia.

Os manifestantes, inflamados pela notícia das mortes, se enfrentaram novamente nesta quarta-feira contra a polícia antidistúrbios, com a qual vêm entrando em confronto perto da sede do governo desde o domingo à noite.

Embora repelidos por ações ocasionais da polícia, os manifestantes continuam a voltar ao local, incendiando pneus e lançando nuvens de fumaça negra na direção da formação policial.

Cinquenta pessoas foram presas à noite e 29 delas indiciadas formalmente por participar da agitação, disse a polícia. Um total de 167 policiais ficou ferido, segundo as autoridades. Não há uma estimativa sobre o número de civis machucados.

(Reportagem adicional de Natalia Zinets, na Ucrânia; e de Doina Chiacu, em Washington)

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