Após eleição britânica, conservadores tentam formar coalizão

O Partido Conservador britânico, de oposição, disse nesta sexta-feira que vai tentar formar um governo com o partido Liberal Democrata, depois de ter conquistado o maior número de lugares no Parlamento na eleição parlamentar mais apertada em uma geração.

SUMEET DESAI E ADRIAN CROFT, REUTERS

07 Maio 2010 | 14h24

Os conservadores, de centro-direita, não conseguiram uma maioria absoluta na Câmara dos Comuns, que tem 650 cadeiras, resultando no primeiro "Parlamento suspenso" (sem maioria absoluta) desde 1974, mas estão confortavelmente à frente do partido Trabalhista, de centro-esquerda, no poder há 13 anos.

O líder conservador David Cameron disse que a Grã-Bretanha precisa urgentemente de um governo forte para tranquilizar os mercados nervosos, mostrando a eles que o governo é sério em sua intenção de fazer frente ao déficit, que está em mais de 11 por cento da PIB.

"Nenhum governo vai atender aos interesses nacionais se não enfrentar a maior ameaça a nossos interesses nacionais, que é o déficit. Continuamos inteiramente convictos de que é essencial começar a combater o déficit ainda este ano", disse Cameron.

Ele disse que uma possibilidade é um governo conservador minoritário que busque o apoio dos outros partidos em cada questão discutida, mas que também convidará o partido centrista Liberal Democrata, que chegou em terceiro lugar na eleição, depois dos trabalhistas, a formar uma coalizão no governo.

"Quero fazer uma oferta grande, aberta e abrangente aos liberais democratas. Quero que trabalhemos juntos para fazer frente aos problemas grandes e urgentes de nosso país", disse Cameron. "Acho que temos uma base forte para um governo forte."

BROWN SEGUE PREMIÊ POR ENQUANTO

As áreas possíveis de concordância incluem a reforma dos sistemas tributário e eleitoral e a reversão do aumento planejado no imposto sobre as folhas salariais, disse Cameron, assinalando que os conservadores estariam menos abertos a fazer concessões sobre questões europeias e ligadas à defesa.

A declaração de Cameron ajudou até certo ponto a acalmar o medo dos investidores de um impasse político na Grã-Bretanha, e os títulos de dívida governamental britânica reverteram por pouco tempo suas quedas anteriores, após o discurso dele. Tinha sido a flutuação mais recente em um dia volátil.

A libra esterlina também se recuperou parcialmente de uma queda anterior.

Os liberais democratas, cujo líder, Nick Clegg, tinha afirmado anteriormente que os conservadores deveriam ter direito de ser os primeiros a tentarem formar um governo, disse, após a declaração de Cameron, que era hora de uma "pausa para respirar" e que Clegg não voltará a falar publicamente na sexta-feira.

Aparecendo mais cedo diante de sua residência em Downing Street, o primeiro-ministro Gordon Brown disse que os conservadores e os liberais democratas devem ter tempo para tentarem chegar a um acordo.

Brown disse que, se essas negociações forem infrutíferas, ele falará com os liberais democratas. Ele destacou seu apoio à reforma eleitoral, uma das reivindicações chaves dos liberais democratas. A formação de uma coalizão com os liberais democratas seria a última esperança dos trabalhistas para se manterem no poder.

Ex-executivo de relações públicas, Cameron, de 43 anos, disse que seu partido fará cortes mais profundos e mais imediatos nos gastos do que fariam os trabalhistas, para os quais isso prejudicaria a recuperação econômica ainda frágil.

Contabilizados os resultados de 637 das 650 zonas eleitorais, os conservadores tinham conquistado 301 vagas, seguidos pelos trabalhistas, com 255, e os liberais democratas, com 54.

A BBC calculou que os conservadores ficaram com 36 por cento dos votos totais, os trabalhistas, com 29 por cento, e os liberais democratas, com 23 por cento.

(Reportagem adicional de Michael Holden, Estelle Shirbon, Mohammed Abbas, Keith Weir, Avril Ormsby, Stefano Ambrogi e Caroline Copley)

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