Após eleição, UE pede que Kosovo não apresse independência

Premiê eleito ameaça declarar separação da Sérvia em dezembro, no fim do esforço de mediação internacional

Reuters,

19 de novembro de 2007 | 12h13

Os ministros das Relações Exteriores da União Européia (UE) pediram nesta segunda-feira, 19, a Kosovo que não tente apressar sua independência depois da eleição do sábado. O ex-guerrilheiro Hashim Thaci, que deve se tornar primeiro-ministro da província, ainda formalmente pertencente à Sérvia, disse que o Parlamento vai declarar a independência depois de 10 de dezembro, quando termina o prazo para os esforços internacionais de mediação. Os Estados Unidos apóiam a independência de Kosovo, mas a UE está dividida. Alguns países europeus relutam porque gostariam de contar com o aval da Organização das Nações Unidas (ONU) ou pelo menos de um amplo consenso internacional. "Kosovo deve ter sua independência, (mas) não deveria ser uma declaração unilateral descontrolada. Deveria ser coordenada com a comunidade internacional", disse a jornalistas o ministro britânico para a Europa, Jim Murphy, ao chegar para uma reunião da UE. O chanceler sueco, Carl Bildt, pediu a Thaci que não aumente as tensões na província, cuja população é majoritariamente de etnia albanesa, e disse que ações precipitadas podem isolar Kosovo. "O senhor Thaci tem de entender que há uma diferença entre ser um político de oposição e um primeiro-ministro responsável", disse Bildt. "Não acho que (os kosovares) queiram ser independentes da comunidade internacional", acrescentou, lembrando que durante anos o novo país precisará da ajuda externa. A UE está preocupada em não repetir seu dilema da década de 1990, quando divisões internas sobre como resolver as guerras nos Bálcãs mostraram a ineficácia do bloco como ator nas questões diplomáticas. "Trata-se de um desafio europeu. Não é algo que possamos pedir aos Estados Unidos para resolver por nós", disse Murphy. Países vizinhos aos Bálcãs, além de Alemanha e Espanha, são os mais hesitantes em apoiar uma declaração unilateral de independência. Diplomatas dizem que os governos de Madri e Berlim poderiam mudar de idéia se forem convencidos de que foram esgotadas as tentativas de acordo entre Sérvia e Kosovo. Representantes de ambas as partes voltam a se reunir na terça-feira em Bruxelas, sob mediação de Alemanha, EUA e Rússia. Mas não há muita perspectiva de solução, ainda mais depois que a minoria sérvia de Kosovo boicotou a eleição de sábado, salientando as divisões existentes dentro da província. Com 90% dos votos apurados, o Partido Democrático, de Thaci vencia com 34%, deixando a Liga Democrática de Kosovo, atualmente no governo, em segundo lugar. A Sérvia ofereceu ampla autonomia à província, mas os albaneses, que formam 90% da população, dizem que só vão se contentar com a independência plena.

Tudo o que sabemos sobre:
Kosovoeleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.