Após escândalo, pesquisa aponta apoio a presidente alemão

A maioria dos alemães quer que o presidente Christian Wulff permaneça no cargo, embora muitos o critiquem pela forma como lidou nesta semana com um escândalo que começou quando tentou pressionar um jornal a não publicar uma reportagem constrangedora, segundo uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira pela emissora pública ARD.

REUTERS

06 de janeiro de 2012 | 10h22

Na opinião de 56 por cento dos entrevistados, Wulff não deveria renunciar. A pesquisa foi feita na quinta-feira, um dia depois de o presidente conceder uma entrevista em que admite ter cometido um "erro grave" ao deixar um recado telefônico para o editor do popular jornal Bild, no mês passado, pedindo a não publicação de uma reportagem sobre um financiamento imobiliário subsidiado que ele recebeu.

Wulff foi indicado em 2010 para o cargo - que é apenas simbólico, mas muito respeitado - pela chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e o escândalo ameaça respingar no governo dela.

Não há possibilidade de Wulff ser demitido, pelo menos até que se comprove que ele violou alguma lei. Merkel, por meio de um porta-voz, manifestou apoio ao presidente, e nem mesmo os partidos Social Democrata e Verdes, os principais da oposição, pediram a renúncia dele, embora tenham criticado a conduta de Wulff e recriminado Merkel pela escolha.

Cerca de 61 por cento dos entrevistados disseram não estar convencidos sobre os esforços de Wulff para controlar o escândalo, mas o fato de a maioria manter seu apoio ao presidente indica que ele dificilmente terá de renunciar.

No entanto, o conservador Wulff, ex-premiê do Estado da Baixa Saxônia, ainda não está totalmente a salvo. O Bild contesta o argumento de Wulff de que ele estava apenas tentando adiar em um dia a publicação da reportagem, em vez de impedi-la totalmente. O jornal ameaça divulgar a transcrição do recado deixado para o editor Kai Diekmann.

Wulff rejeitou tal divulgação na quinta-feira, dizendo que a mensagem era uma comunicação reservada dele com Diekmann. Na véspera, na entrevista televisiva, o presidente havia prometido transparência total sobre o caso.

Apesar da pressão de Wulff, o Bild publicou em meados de dezembro a reportagem sobre o financiamento imobiliário. De acordo com o jornal, Wulff recebeu em 2008, quando era premiê estadual, um empréstimo imobiliário a juros camaradas por parte da esposa de seu amigo Egon Geerken, um rico empresário.

Ele é acusado de ter mentido ao Parlamento estadual quando negou ter qualquer ligação comercial com o casal Geerken.

Ainda segundo a pesquisa da ARD, 49 por cento dos alemães acreditam que Wulff deixará a presidência ainda neste ano, e 45 por cento preveem que ele continuará no cargo. O mandato do presidente vai até 2015.

(Reportagem de Annika Breidthardt)

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