Após extradição, Karadzic se apresenta a Tribunal da ONU na 5ª

Ex-líder servo-bósnio acusado de genocídio é enviado para Haia, onde responderá pela morte de 8 mil pessoas

Agências internacionais,

30 de julho de 2008 | 07h33

O ex-líder servo-bósnio Radovan Karadzic, extraditado para Haia, na Holanda, nas primeiras horas desta quarta-feira, 30, fará sua primeira aparição ao Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) na quinta-feira. Segundo um comunicado do Tribunal, o juiz deve apresentar as acusações contra o acusado de genocídio e crimes de guerra, e ele terá o direito a se declarar culpado ou inocente.   Veja também: Advogado não recorreu contra extradição de Karadzic Radovan Karadzic é extraditado ao Tribunal Penal da ONU Quem é Radovan Karadzic Cronologia dos conflitos nos Bálcãs  O massacre de Srebrenica  Entenda os conflitos na região   Karadzic foi extraditado nas da capital sérvia, Belgrado, onde estava preso há nove dias após passar mais de uma década foragido. O ex-presidente deverá responder a 11 acusações, entre elas duas de genocídio: uma pelo cerco de 43 meses a Sarajevo e outra pelo massacre, em 1995, de 8 mil muçulmanos bósnios por forças servo-bósnias na cidade de Srebrenica - a maior atrocidade na Europa desde a 2ª Guerra.   Escoltado por agentes mascarados do serviço secreto sérvio, Karadzic foi levado às 3h45 (22h45 de Brasília) de uma prisão em Belgrado para o aeroporto e colocado num avião com destino à Holanda, disseram as fontes. Karadzic chegou às dependências penitenciárias do Tribunal após ser trasladado em helicóptero do aeroporto de Roterdã.   A porta-voz do TPII Nerma Jelacic confirmou a chegada de Karadzic ao centro de detenção da ONU em Haia na manhã desta quarta e comentou que o tribunal especial "garantirá o bem-estar do réu e o direito a um julgamento mais justo possível e de acordo com os mais altos parâmetros internacionais". Karadzic foi enviado de Belgrado a Haia a bordo de um avião do governo sérvio. O TPII recusou-se a fornecer detalhes para preservar a segurança de ações futuras similares.   A confirmação da extradição foi feita depois que um helicóptero pousou na carceragem da ONU enquanto um helicóptero de escolta sobrevoava o perímetro. Momentos antes, dois veículos negros haviam cruzado os portões do centro de detenção.   A extradição de Karadzic foi decidida na terça-feira depois que a Justiça afirmou não ter recebido a apelação feita pelo advogado do ex-líder sérvio na sexta-feira. O recurso teria sido entregue cinco minutos antes do fim do prazo e enviado pelo correio. Mas até a noite da terça-feira a carta não havia chegado ao tribunal sérvio. Apesar da rapidez com que foi marcada a audiência preliminar, é provável que o julgamento comece somente daqui a alguns meses e seja concluído apenas dentro de alguns anos.   O advogado do de Karadzic, extraditado reconheceu que nunca recorreu contra a transferência de seu cliente e informou que pedirá um período de 30 dias para preparar sua defesa antes de pronunciar-se sobre a acusação. "Essa era a única maneira de prolongar a estadia do meu cliente na Sérvia para permitir que sua família o visitasse", disse o advogado Svetozar Vujacic à emissora de TV B92.   Segundo a BBC, em Haia, Karadzic deve usar os mesmos recursos de defesa aplicados pelo ex-líder sérvio e seu mentor Slobodan Milosevic, quando esteve preso no mesmo tribunal.   A transferência de Karadzic para Haia foi realizada poucas horas depois de uma manifestação em Belgrado contra a sua prisão, que acabou em violência.   Mais de 40 pessoas ficaram feridas em choques entre manifestantes favoráveis ao ex-líder sérvio da Bósnia e a polícia nas ruas da capital sérvia, Belgrado. A polícia usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar pequenos grupos. O ato público reuniu cerca de 15 mil pessoas. Os choques ocorreram nos discursos finais da concentração organizada pelo Partido Radical, que é nacionalista.   Matéria atualizada às 8h40.

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