Após França expulsar ciganos, Romênia pede plano de integração à UE

Sarkozy começa a deportar ciganos romenos e búlgaros para seus países nesta quinta-feira

estadão.com.br,

19 de agosto de 2010 | 11h42

Criança cigana em acampamento em Lille. Foto: Pascal Rossignol/Reuters

 

BUCARESTE - O presidente da Romênia, Traian Basescu, declarou nesta quinta-feira, 19, que "o que está ocorrendo em Paris", com a expulsão de ciganos em situação irregular, "prova a necessidade" de um programa europeu de integração, um pedido feito por seu país desde 2008, segundo a agência de notícias AFP.

 

"O que ocorre em Paris prova que devemos ter um programa de integração de cidadãos a nível europeu", declarou Basescu sobre a política de vários países no tratamento de ciganos. "A Romênia faz essa solicitação desde 2008", completou o mandatário.

 

Nesta quinta, a França dá início ao programa do presidente Nicolas Sarkozy de expulsar ciganos que vivem de forma irregular no país. O primeiro grupo saiu em um avião fretado pelo governo em direção à Bulgária e à Romênia, levando 79 pessoas. O objetivo é remover mais de 700 ciganos da França em apenas 10 dias e destruir 300 dos 600 acampamentos ilegais que existem no país.

 

A política adotada por Sarkozy causou um mal-estar na União Europeia, já que a medida se refere à expulsão de cidadãos de países da própria UE. A Organização das Nações Unidas (ONU) alerta para as medidas "de cunho racista" do governo francês. Para a Romênia, a decisão ameaça provocar um "surto de xenofobia".

 

Um dos pilares da UE é a livre circulação de seus cidadãos, exceto no caso de Bulgária e Romênia, dois dos países mais pobres do bloco e principais locais de origem dos ciganos na Europa. Pelo acordo assinado em 2007, romenos e búlgaros podem viajar para a França, mas a permanência fica restrita a apenas três meses. O acesso ao mercado de trabalho é limitado a 150 áreas que enfrentam escassez de mão de obra.

 

No total, 15 mil pessoas da comunidade cigana vivem em acampamentos na França. Para Laurent El Ghozi, da entidade que reúne o grupo na Europa, Sarkozy não conseguirá expulsar os 700 que prometeu, mesmo que tenha destruído 51 acampamentos. Isso porque a viagem é voluntária e parte dos que viviam nos lugares destruídos simplesmente fugiu.

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