Após Grécia, jovens protestam em outros países da Europa

Manifestantes se enfrentaram com a polícia na Espanha e Dinamarca; carros foram incendiados na França

AP e Reuters,

11 de dezembro de 2008 | 16h53

Os protestos que começaram na Grécia nos últimos seis dias dão sinais de que estão se estendendo para o resto da Europa, enquanto a violência se espalha por diversas cidades. Jovens revoltados quebraram vidraças de lojas, atacaram bancos e se enfrentaram com a polícia em pequenos, mas violentos, protestos nesta quinta-feira, 11, na Espanha e Dinamarca. Carros foram incendiados em frente a um consulado na França, e manifestações aconteceram diante da embaixada grega em Roma.   As autoridades dizem que os incidentes são casos isolados, mas trazem a preocupação de que os protestos iniciados na Grécia - que começaram com a morte de um jovem de 15 anos no sábado pela polícia - podem servir de incentivo à ação de grupos anti-globalização e outros revoltados pela crise econômica e falta de oportunidades no mercado de trabalho.     Veja também: Polícia prende 11 por distúrbios em Madri e Barcelona Gregos atacam delegacias no 6º dia de protestos Gilles Lapouge: Política arcaica imobiliza Grécia  Protestos ameaçam sobrevivência do governo  Galeria de fotos dos protestos    "O que está acontecendo na Grécia tende a provar que a extrema-esquerda existe, contrariando a dúvida de alguns nas últimas semanas", afirmou o ministro do Interior francês, Gerard Gachet. "Nesse momento, (porém) não podemos ir além com nossas conclusões e dizer que há perigo de contágio da situação da Grécia na França. Tudo isso está sendo acompanhando."   Enquanto a Europa mergulha em recessão, a taxa de desemprego sobe, especialmente entre os jovens. Mesmo antes da crise, os jovens europeus reclamavam da dificuldade em encontrar empregos com bons salários - mesmo com um título universitário - e muitos diziam que se sentiam de lado enquanto a prosperidade crescia no continente.   Alguns desses protestos na Europa parece ter sido organizados na internet, o que mostra como a mensagem de insatisfações pode se espalhar rapidamente. Um site dizia que os manifestantes tinham simpatizantes em quase 20 países.   Revolta grega   Uma coisa os protestos em Atenas nos últimos seis dias deixam claro: o pouco caso instintivo dos gregos com a autoridade. A morte do um deflagrou uma onda de fúria na população, cansada após anos de privação econômica. Milhares de pessoas têm tomado as ruas na maior agitação social no país em décadas.   Os tumultos têm tornado mais evidente o desdém com a autoridade e o descontentamento em acatar ordens que estão no profundo da psique grega e podem ser observados, dizem alguns, nas histórias sobre a Grécia antiga. "Os gregos são anti-autoritarismo e sempre precisam se fazer ouvidos. Eles não gostam da autoridade", disse o pesquisador James Ker-Lindsay, do Observatório Helênico da London School of Economics.   Leônidas de Esparta estabeleceu o tom na Batalha das Termópilas, em 480 a.C. Quando o Exército persa, invasor, ordenou que os espartanos - que estavam em menor número - largassem suas armas, a resposta foi: "Molon Labe", ou seja, venham pegá-las. Até hoje, a expressão permanece como lema do Exército grego.   Um dos dias mais importantes no calendário grego é o 28 de outubro, conhecido como Ohi, que significa "não" em grego. Ele celebra o dia em que a Grécia recebeu um ultimato da Itália para permitir que as forças do Eixo entrassem em território grego. Os gregos preferiram entrar em guerra.   "Eles (os gregos) não gostam de receber ordens e eles não abaixam a cabeça facilmente", afirmou Ker-Lindsay. A ira grega hoje em dia é dirigida à polícia. Fresca na memória da população, está a mão pesada da polícia durante o governo militar, de 1967 a 1974.   Mesmo em épocas mais calmas, no entanto, é difícil passar mais que uma semana sem uma ou outra manifestação em Atenas, a capital de quatro milhões de pessoas, normalmente com tráfego congestionado. Um analista afirma que a maior parte das manifestações é mais um sintoma de desapontamento pessoal do que uma demonstração de ativismo político.   "É uma sociedade segmentada. Eles realmente não participam do que está acontecendo, a não ser que seja de seu próprio interesse", conclui Thano Veremis, professor de história moderna da Universidade de Atenas.  

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