Após 'não' irlandês, Sarkozy pede apoio de outros países da UE

Irlanda rejeitou tratado do bloco; presidente francês, que assume comando da UE em julho, quer evitar crise

Efe,

14 de junho de 2008 | 08h40

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez um apelo neste sábado, 14, para que o processo de ratificação do Tratado de Lisboa continue e o "incidente" da rejeição do acordo por parte da Irlanda na última sexta não se transforme em uma "crise". É preciso "mudar nossa forma de fazer a Europa" para responder às preocupações dos cidadãos, disse Sarkozy.  O presidente francês assume a presidência da União Européia no próximo mês e quer impulsionar iniciativas para que o bloco seja "mais eficaz a serviço da vida cotidiana dos europeus". Sarkozy afirmou que o "não" irlandês ao Tratado de Lisboa é "uma realidade política". As declarações foram feitas em entrevista ao lado do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que visita a França.  Veja também:. Novo referendo na Irlanda causaria mais danos, diz ministroDerrota na Irlanda mergulha a UE em incertezasOuça análise de Christian Lohbauer, da Universidade de São Paulo Em golpe contra a UE, Irlanda recusa tratado com 53% dos votosEntenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa Sarkozy foi um dos principais artífices do Tratado de Lisboa, voltado a substituir a fracassada Constituição da UE, cuja rejeição por franceses e holandeses em referendos em 2005 fez com que o bloco ficasse imerso em uma grave crise institucional.  A questão "não é saber se gostamos ou não. O povo irlandês se pronunciou. É uma realidade. É preciso aceitar", destacou Sarkozy. No plebiscito irlandês da última quinta-feira, cujos resultadosforam anunciados na sexta, o "não" ao acordo venceu com 53,4% dos votos. Sarkozy disse que ele e a chanceler alemã, Angela Merkel, acreditam que deve ser dado prosseguimento à ratificação do tratado, que já foi aprovado por 18 dos 27 Estados da UE, para que "este incidente irlandês não se transforme em uma crise". O presidente francês afirmou que esta também é a intenção do primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, com o qual conversou na sexta-feira. Portanto, o "primeiro elemento" é continuar com o processo de ratificação, ressaltou, antes de acrescentar que o segundo é a necessidade de todos "refletirem juntos", já que o "não" irlandês"não é uma eventualidade nem uma surpresa". "Muitos europeus não entendem a forma como se constrói a Europa neste momento. Temos que levar isso em conta muito rapidamente" e "mudar nossa forma de fazer a Europa", destacou, ao insistir em que "não há direito de sabotar" a "grande" idéia que é a UE. Para Sarkozy, é preciso "agir de forma diferente", já que a Europa, concebida para "proteger", "preocupa" tantos europeus. "É preciso levar isso em conta. Não dentro de seis meses, mas agora", disse o presidente, resolvido a que se adotem "iniciativas",como pactuar uma política européia de imigração e dar "uma resposta européia à escalada sem fim do preço do petróleo". "Temos um dever de ser mais eficazes a serviço da vida cotidiana dos europeus", ressaltou Sarkozy, que vê o "não" irlandês ao tratado como "um apelo a fazer mais e melhor, de forma diferente, e aencontrar juntos as soluções". Ele admitiu que a rejeição irlandesa ao tratado "não facilitará" o trabalho da presidência francesa da UE.   

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