Após nove dias, termina greve de transportes na França

Sindicatos aceitam suspender a paralisação e retomar os trabalhos; negociações com o governo prosseguem

Ansa e Reuters,

22 de novembro de 2007 | 15h08

Após nove dias de paralisação do sistema ferroviário francês, assembléias de trabalhadores votaram nesta quinta-feira, 22, pelo fim da greve que causou transtornos e foi marcada por atos de vandalismo e sabotagens. Veja também:Entenda a disputa entre sindicatos e o governo'Poder das ruas' tem longa tradiçãoFotógrafo brasileiro flagra a greve em Paris   Segundo a Confederação Geral dos Trabalhadores, o maior sindicato da França, vários sindicatos locais votaram pela suspensão do movimento para dar chance à negociação. Nesta manhã, 42 das 45 assembléias ferroviárias votaram a favor do fim da paralisação. O sindicato definiu como "positivos" alguns resultados do primeiro dia de negociações sobre a reforma do sistema de aposentadorias especiais, que motivou o começo da greve. "É só a forma de ação que está mudando, a determinação dos trabalhadores ferroviários está intacta", disse Daniel Tourlan, do sindicato CGT, em Marselha. O impasse político representou o maior desafio para o presidente Nicolas Sarkozy desde que ele tomou posse, em maio, com a promessa de reformas. O governo afirmou que a greve custou à economia até 400 milhões de euros por dia. Nesta quinta, mais trens, metrôs e ônibus começaram a funcionar, com cada vez mais funcionários, depois da retomada das negociações sobre a reforma previdenciária. A RATP, autoridade de transportes de Paris, também disse que as votações indicam a tendência pela volta ao trabalho. No período da tarde, 70% dos ônibus e 75% do metrô estavam funcionando.  A opinião pública está ao lado do governo na disputa, mas a preocupação com o aumento do custo de vida fez com que a administração temesse que os protestos se generalizassem. O pico da manifestação foi na terça-feira, com a greve dos funcionários públicos. Os estudantes também reforçaram os protestos, reclamando das reformas universitárias, que poderiam levar à privatização. Os sindicatos ferroviários devem manter as negociações por pelo menos um mês, e só uma grande organização trabalhista, a Sud Rail, pediu que seus integrantes continuem parados. Sarkozy já prometeu que não vai ceder no principal ponto da disputa, a eliminação de um privilégio que permitia a alguns trabalhadores dos setores de transporte e energia se aposentar com renda total 2,5 anos antes que a maioria dos outros trabalhadores.  Mas o SCNF ofereceu algumas concessões, como a inclusão de pagamentos de bônus no cálculo da aposentadoria e aumentos de salários para quem está próximo de se aposentar. Líderes sindicais afirmam que já houve algum progresso.

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