Após novo ataque, espanhóis fazem passeata contra o ETA

Políticos de todos os partidos se juntaram a uma multidão que portava bandeiras espanholas no centro de Madri

REUTERS

04 de dezembro de 2007 | 19h08

Milhares de espanhóis saíram às ruas nesta terça-feira, 4, em protesto contra um atentado do ETA que matou um policial e feriu outro no fim de semana, levando a questão do separatismo basco novamente para a linha de frente de uma campanha eleitoral no país. Políticos de todos os matizes se juntaram a uma multidão que portava bandeiras espanholas no centro de Madri, mas continuavam profundamente divididos sobre como o governo deve lidar com o ETA. "Zapatero, você não está sozinho", gritava um grupo, dirigindo-se ao primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero - que estava ausente. Outros criticavam o governo socialista por ter negociado com o ETA no ano passado - o que não impediu que, em dezembro, o grupo cometesse um atentado no estacionamento do aeroporto de Madri, matando duas pessoas, e em junho deste ano suspendesse sua trégua. "O governo fez um pacto com o ETA, e por isso eles não estão aqui", disse a Ana Bonilla, operadora do mercado financeiro. Zapatero viajou à França, onde visitou Fernando Trapero, 23 anos, internado em estado grave depois de ser baleado à queima-roupa no sábado. Ele e seu colega Raúl Centeno foram atacados quando cruzaram com militantes do ETA em um bar perto de Biarritz, cidade no País Basco francês. "Eu me uno aos mesmos sentimentos de todos os espanhóis que estão pensando em Fernando, que foi atacado tão selvagemente, tão injustamente, tão intoleravelmente", afirmou Zapatero a jornalistas. O premiê foi vaiado no funeral de Centeno, no domingo, já que o crime - primeiro homicídio cometido pelos separatistas em quase um ano - despertou as lembranças da sua frustrada tentativa de negociar a paz com o grupo, que já matou mais de 800 pessoas em quatro décadas de rebelião armada. Zapatero deve convocar eleições até março de 2008. Embora a economia e o custo da habitação sejam temas importantes no momento, o atentado do fim de semana deve colocar o ETA novamente entre as prioridades no debate eleitoral.

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