Após polêmica sobre 'guerra', ministro francês pode ir ao Irã

Chanceler quer minimizar saia-justa criada por sugestão de ataque para evitar desenvolvimento nuclear do país

Efe e Reuters,

20 de setembro de 2007 | 09h34

O ministro das Relações Exteriores francês, Bernard Kouchner, se disse disposto a ir a Teerã caso seja convidado, segundo publicou nesta quinta-feira, 20, o jornal Le Figaro. Por meio de uma entrevista, o chanceler busca minimizar a polêmica gerada por suas declarações sobre uma possível "guerra" para evitar que o Irã obtenha armas nucleares.   Após afirmar que a França tem a intenção de ser intermediário entre o Ocidente e o Irã, Kouchner disse que não é "hostil" ao diálogo com os iranianos e sempre o manteve.   Em referência a suas declarações no domingo passado sobre a necessidade de se preparar "para o pior" - ou seja, para a "guerra" -, disse que foi "tão mal entendido que é hora de restabelecer a honestidade e a transparência" de sua atuação.   O ministro afirmou também que apóia conversas entre o Irã e a Agência Nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o programa atômico do país, embora acredite que negociações desse tipo não devam se arrastar por anos. Kouchner disse que está disposto a aceitar o acordo de agosto entre o Irã e AIEA sobre a verificação do programa nuclear iraniano e "dar o tempo necessário" ao diretor desse organismo, Mohamed ElBaradei, para "ir in loco e verificar se (o acordo) está sendo aplicado".   "Em uma palavra, sim ao diálogo permanente com o Irã. Sim aos esforços da AIEA", disse, e defendeu continuar trabalhando em novas sanções para levar o Irã a suspender seu programa de enriquecimento de urânio.   Potências ocidentais lideradas pelos EUA e a França criticaram um acordo feito por ElBaradei, segundo o qual o Irã tem que responder perguntas sobre pesquisas nucleares passadas, mas não precisa abordar sua campanha para enriquecer combustível atômico.   "Devemos com certeza dar uma chance para um acordo entre o Ocidente e o Irã, com base na suspensão do programa de enriquecimento de urânio", disse Kouchner. "Mas essas discussões não podem durar anos. Temos que encontrar uma solução."   O Irã nega que esteja secretamente tentando fabricar armas nucleares e afirma que somente busca gerar eletricidade.   "Durante esse período, deixe-nos pensar em sanções seletivas para persuadir os iranianos de nossa seriedade", afirmou o chefe da diplomacia francesa, que se reunirá com o ministro de Exteriores iraniano em Nova York, durante a Assembléia Geral da ONU.   Aos que interpretaram "mal" suas polêmicas declarações de domingo passado, que foram "tiradas do contexto", segundo ele, disse: "estamos dispostos a continuar dialogando com os iranianos, sem temer os fracassos. Nenhum fracasso nos fará renunciar ao diálogo necessário".   "Mas estas negociações não devem durar anos: é preciso encontrar uma solução", advertiu.   Kouchner viajou na quarta-feira aos Estados Unidos, em sua primeira visita oficial ao país, onde se reunirá nesta quinta com o secretário de Defesa americano, Robert Gates, e com a chefe da diplomacia americana, Condoleezza Rice, na sexta.

Tudo o que sabemos sobre:
IrãFrançaGuerra

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.