Após protestos na Rússia, aliado de Putin quer novo partido

Um aliado de longa data do primeiro-ministro Vladimir Putin pediu nesta segunda-feira a criação de um partido liberal para preencher um vazio na política russa exposto pelos protestos em massa contra os 12 anos de Putin no governo, e se lançou como o líder em potencial desse partido.

STEVE GUTTERMAN, REUTERS

12 de dezembro de 2011 | 11h50

A proposta do ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin pode, se conseguir apoio, ser um meio de Putin canalizar o descontentamento e reduzir a ameaça representada pelos maiores protestos da oposição desde que assumiu o poder, em 1999.

Mas Kudrin também alertou que a legitimidade da eleição presidencial que Putin deve vencer em março seria posta em risco se não se conseguisse responder às alegações dos manifestantes sobre fraudes na eleição legislativa de 4 de dezembro. Aquela votação, afirmou, mostrou a necessidade de uma forte alternativa liberal ao partido da situação.

"Hoje está claro que esse déficit é ainda mais terrível do que poderíamos ter imaginado", disse Kudrin, um fiscal linha-dura obrigado a renunciar em setembro, depois de uma contenda com o presidente Dmitry Medvedev sobre planos de gastos militares estatais exorbitantes.

"Hoje se pode dizer que a demanda para a criação de tal estrutura é tão grande que ela certamente começará a ser criada", disse Kudrin em uma entrevista publicada no jornal financeiro Vedomosti.

Dezenas de milhares de russos protestaram no sábado contra a eleição de 4 de dezembro, que eles dizem ter sido manipulada em favor do Rússia Unida, o partido que Putin usou como um instrumento de seu governo

Os eleitores expressaram sua frustração com o partido entrincheirado no poder reduzindo drasticamente sua maioria na câmara baixa da Duma. Mas os manifestantes dizem que mesmo o resultado oficial do Rússia Unida, pouco menos do que 50 por cento dos votos, foi inflacionado pela fraude.

Muitos manifestantes nas ruas no sábado representavam a nova classe média de profissionais moderadamente ricos que estão descontentes com um sistema político rigidamente controlado e dominado por um único homem.

"O processo da consolidação de forças democráticas e liberais agora seguirá adiante. Tenho certeza absoluta disso, e eu mesmo estou pronto para apoiar isso", disse Kudrin, acrescentando que ainda era cedo demais para falar sobre um líder potencial.

Ciente do descontentamento crescente entre os profissionais esclarecidos e ansiosos por uma voz mais forte, o Kremlin voltou-se para Kudrin no início deste ano com a proposta de que ele liderasse um partido liberal que pudesse contrabalançar o Rússia Unida.

Ele rejeitou a oferta.

Os laços de Kudrin com Putin levantam questões sobre sua capacidade de desempenhar um papel importante em qualquer nova força política, principalmente depois que os protestos de sábado trouxeram gritos de "Rússia sem Putin" ou "Fora Putin".

Líderes dos maiores protestos incluíram políticos da oposição liberal, que foram proibidos de participar da eleição legislativa porque o estado lhes negou o registro.

Kudrin, de 51 anos, foi ministro das Finanças durante a presidência de Putin, de 2000 a 2008, e permaneceu no cargo quando Putin se tornou primeiro-ministro.

Tudo o que sabemos sobre:
RUSSIAPUTINPROTESTOS*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.