Após reeleição de Zapatero, Espanha prepara estímulo à economia

O governo socialista espanhol prepara nasegunda-feira um programa de obras públicas para estimular aeconomia, depois da vitória eleitoral da véspera. O primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero ampliousua bancada parlamentar, mas novamente ficou sem a maioriaabsoluta, o que significa que provavelmente terá de negociar aaprovação de projetos com o partido nacionalista catalão CiU. A bancada socialista subiu de 164 para 169 deputados (numtotal de 350). O oposicionista Partido Popular também cresceu,alcançando 153 vagas, enquanto vários pequenos partidosesquerdistas e regionais perderam espaço. O comparecimento às urnas foi de 75 por cento doeleitorado, num pleito marcado pelo assassinato de umex-vereador socialista no País Basco, atribuído ao gruposeparatista ETA. Zapatero prometeu no domingo governar para os pobres, asmulheres e os jovens, mantendo a linha progressista do primeiromandato, quando o governo legalizou as uniões homossexuais efacilitou o processo de divórcio, apesar das resistênciascatólicas. Mas, após anos de expansão, a economia espanholaexperimenta forte desaceleração desde o início da crise globaldo crédito, em 2007. Por isso, a prioridade de Zapatero serácontrolar o desemprego, que só em fevereiro atingiu mais 50 milpessoas, afetando agora um total de 2,3 milhões. "Temos a confiança que vem de um superávit orçamentário",disse o ministro do Trabalho, Jesús Caldera, explicando que osuperávit de 2 por cento do PIB facilitará o financiamento degrandes obras públicas. Mas analistas têm dúvidas sobre a eficácia das obras paracorrigir problemas econômicos de longo prazo num país quedurante anos dependeu de um surto imobiliário e doendividamento do setor privado. "Eles sabem que precisam fazer algo rapidamente, há umaforte sensação de urgência. As nuvens negras se formaram, aquestão é quão forte será a chuva", disse Martin Van Vliet,economista-chefe do ING Amsterdam. O governo espera que o aumento dos gastos públicos mantenhao crescimento econômico na faixa de 3 por cento, após aexpansão de 3,8 por cento em 2007. Alguns economistas, porém,acham que famílias e empresas estão endividadas demais, e queisso pode afetar o crescimento. O endividamento privado sereflete no fato de que o atual déficit em conta-corrente atingequase 10 por cento do PIB. "É uma decisão sábia usar parte do superávit orçamentáriopara dar um impulso à economia", disse Van Vliet,acrescentando, porém, que tais gastos não vão resolver osproblemas espanhóis com competitividade e educação. Economistasdizem que o país precisa desesperadamente tornar suasexportações mais atrativas e incentivar investimentos externosem todos os setores, e não só no imobiliário. "Estão todos focados em dar um impulso à economia, umimpulso muito necessário, mas isso desvia o foco em relação àsreformas no contexto de um enorme déficit em conta corrente. Éum risco preocupante no longo prazo", afirmou o economista.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.