Após suicídios, Espanha promete moderar despejos

O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, prometeu nesta segunda-feira que nenhuma família necessitada ficará sem moradia por causa da inadimplência hipotecária, numa resposta à indignação popular depois do suicídio de uma mulher que estava sendo despejada.

NIGEL DAVIES, Reuters

12 de novembro de 2012 | 17h11

A associação espanhola dos bancos informou que seus filiados vão suspender durante dois anos as ordens de desocupação contra mutuários que tenham sido particularmente afetados pela crise econômica e pelo desemprego recorde.

Os bancos recuperaram cerca de 400 mil imóveis na Espanha desde o estouro da bolha imobiliária no país, em 2008. O país em seguida mergulhou numa recessão que deixou milhões de pessoas sem emprego e impossibilitadas de pagarem seus financiamentos imobiliários.

O suicídio de Amaia Egaña, de 53 anos, ocorrido na sexta-feira, inflamou uma opinião pública já irritada com a suposta falta de compaixão dos bancos, muitos dos quais se beneficiaram de resgates financeiros organizados pela elite política e bancados pelo contribuinte.

Egaña, ex-vereadora socialista no norte da Espanha, saltou do seu apartamento de quarto andar em Barakaldo, no País Basco, quando oficiais de Justiça tentavam desalojá-la por inadimplência.

Falando em Bruxelas, De Guindos disse que é vital impedir os despejos num momento em que muitos imóveis construídos durante a febre imobiliária pré-2008 estão desocupados.

"Atualmente na Espanha, temos quase 1 milhão de unidades habitacionais vazias. Nesta situação, o governo e o Ministério da Economia... precisam tomar medidas para que nenhuma família de boa fé fique sem casa. Esse é o nosso compromisso."

Diante da pressão da opinião pública, o primeiro-ministro Mariano Rajoy pediu na segunda-feira a funcionários do seu Partido Popular e da oposição socialista que acelerem as negociações sobre as reformas das leis de despejo.

Mas a Associação Espanhola dos Bancos disse que seus filiados já acertaram com o governo na semana passada uma suspensão por dois anos dos despejos que atinjam as famílias mais carentes, segundo nota divulgada na segunda-feira pela entidade.

No sábado, torcedores do Rayo Vallecano, time de um bairro proletário de Madri, estenderam no estádio uma faixa com alusão a Egaña e a outros casos semelhantes. "Não são suicídios, são assassinatos. Os bancos e políticos são cúmplices. Parem os despejos!", dizia o cartaz.

(Reportagem de Marco Trujillo e Ibar Aibar, e Robin Emmott em Bruxelas)

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