Aprovação do véu em universidades gera impasse na Turquia

Secularistas afirmam que uso é manifestação política e recusam o direito à educação de jovens com o véu

Efe,

07 de fevereiro de 2008 | 12h17

A primeira sessão parlamentar que discutiu e aprovou a suspensão da proibição do véu nas universidades reacendeu o debate na Turquia entre favoráveis e contrários à medida. O debate parlamentar, que terminou na madrugada desta quinta-feira, 7, foi tenso e esteve cercado de manifestações do lado de fora da assembléia, apesar de a maioria da população turca apoiar a permissão ao livre uso do véu. A proposta, que consiste em emendar dois artigos da constituição e um da Lei de Educação Superior, foi aprovada por 404 votos a favor, 92 contra, 2 em branco e 1 inválido, embora o resultado seja provisório até a votação definitiva em segunda instância, que ocorrerá no sábado. Os favoráveis à modificação constitucional, o Partido da Justiça e o Desenvolvimento (AKP, no governo) e o direitista Partido da Ação Nacionalista (MHP), junto com o pró-curdo Partido da Sociedade Democrática (DTP), votaram a favor da proposta. Já os laicos Partido Republicano do Povo (CHP) e Partido da Esquerda Democrática (DSP) se posicionaram contra a medida. A oposição dos laicos que foi tão forte que o presidente da Câmara foi obrigado a interromper a sessão em uma ocasião porque um deputado do DSP se negava a passar a palavra aos parlamentares rivais. Os jornais desta quinta estampam esta disputa e tomaram uma clara posição a favor ou contra o livre uso do véu na universidade. A "polarização" era criticada em sua coluna no jornal Referans pelo analista Cengiz Çandar, já que não abre espaço para os liberal-democratas que não se sentem representados por qualquer das partes em disputa. Ele tachou os chamados "círculos seculares" - juízes, militares, reitores e partidos laicos - de "anacrônicos" e "antidemocráticos" por se recusarem a permitir o direito à educação às jovens com véu. Ufuk Uras, parlamentar comunista independente, votou em branco, dizendo que defende tanto que "as meninas com véu, como os jovens com camisetas de Che Guevara ou as meninos com pingentes tenham direito à educação". O legislador advertiu dos riscos da aliança "turco-islâmica" entre islamitas moderados do AKP e os ultranacionalistas do MHP. Uma pesquisa divulgada na terça-feira por vários jornais indicou que 64,9% dos turcos aprovam a suspensão da proibição do véu e só 27,6% se opõem. A maioria (57%) acredita que se trata de uma questão de "democracia, liberdade de consciência e liberdade religiosa" e, por outro lado, 26,3% consideram a medida um "ataque contra o laicismo e o regime republicano".

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