Armênia tem estado de emergência; protestos matam oito

Governo proíbe aglomerações mas não impõe toque de recolher; confronto entre tomaram conta da capital

Efe e Reuters,

02 de março de 2008 | 12h02

Oito pessoas morreram e 33 policiais ficaram feridos durante os violentos protestos noturnos na Armênia, que terminaram depois de o governo declarar estado de emergência e mobilizar o Exército. O estado de emergência, vigente até 20 de março, foi declarado após os piores distúrbios na Armênia em uma década, provocados por manifestantes da oposição contra os resultados das eleições presidenciais de 19 de fevereiro. A oposição considerou que as eleições foram manipuladas, apesar de observadores de potências do Ocidente indicarem que em geral elas foram justas. A polícia manteve duros enfrentamentos com os simpatizantes da oposição, que fizeram protestos diários desde que o primeiro-ministro, Serzh Sarksyan, foi eleito presidente.  O presidente que irá deixar o cargo, Robert Kocharyan, disse a medida foi tomada para "prevenir uma ameaça de ordem institucional". Kocharyan acusou os manifestantes de disparar, lançar granadas e de planejar um golpe de estado. A oposição negou e afirma que a polícia ataca protestos pacíficos.  As desordens em Yerevan explodiram na manhã de sábado, depois que a polícia dispersou violentamente o grupo de opositores que se mantinha reunido na Praça da Ópera desde o dia 19 de fevereiro, quando foram anunciados os resultados oficiais das eleições. No começo da manhã, a situação nas ruas estava sob controle e praticamente todos os manifestantes tinham se retirado da praça da Prefeitura. Apesar disso, o centro da capital continua isolado por tropas comuns e especiais. Nas imediações da Administração municipal, era possível ver cerca 20 vinte carros particulares, viaturas e ônibus e trólebus queimados, assim como lojas saqueadas. Além disso, as ruas estavam cheias de vidros, garrafas com material inflamável, barras de metal e pedras que os manifestantes arrancaram das calçadas para jogar nas forças de segurança. O estado de emergência, que ficará em vigor por 20 dias, proíbe a realização de comícios, manifestações e greves, mas não inclui toques de recolher. Além disso, as forças da ordem poderão, caso haja necessidade, limitar o tráfego e efetuar revistas. A medida também impõe certos limites ao trabalho da imprensa e dos partidos e forças políticas cuja atividade possa dificultar a solução do conflito que resultou no estado de exceção.

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