Gareth Fuller/Reuters
Gareth Fuller/Reuters

Ascensão de Clegg reconfigurou eleições no Reino Unido, dizem analistas

Hegemonia bipartidária de conservadores e trabalhistas está ameaçada por terceira força política

Luciana Fadon, do estadão.com.br

30 de abril de 2010 | 14h30

SÃO PAULO - As eleições britânicas, tradicionalmente bipartidárias, com os trabalhistas e os conservadores disputando os votos da população, ganharam outros contornos em 2010 com a ascensão inesperada de Nick Clegg e seu partido, os liberais democratas. O aparecimento de uma terceira força política no país alterou completamente a equação eleitoral, diz Phil Daniels, professor de Política Europeia na Universidade de Newscatle. "Esta eleição é única na história moderna britânica. Ao longo da campanha eleitoral as sondagens têm mostrado consistentemente que nenhum partido provavelmente ganhará uma maioria parlamentar e, portanto, estará em posição de formar um governo de partido único", analisa.

 

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A onda Liberal Democrata altera a proporção representativa de cada partido no Parlamento a partir deste ano. Com a ascensão do partido liderado por Clegg há três grupos de grande representação, e o apoio a esses grupos, segundo mostram as pesquisas, variam entre 28% e 36% e mostram um eleitorado dividido.

 

Se o resultado das urnas refletir as intenções de votos reveladas em levantamentos recentes, Cameron tem poucas chances de comandar o país com maioria absoluta na Câmara dos Comuns, embora seja o líder partidário com maior apoio. Segundo Patrick Dunleavy, professor de Ciências Políticas e Políticas Públicas da London School of Economics, o melhor resultado para Cameron agora pode ser um "parlamento levemente dividido", com os conservadores como o maior partido, "mas sem maioria para a legislação - o que poderia levar a uma segunda eleição geral já em maio de 2011".

 

"O fato é que os trabalhistas fizeram um monte de preparações para uma coligação e têm muito a oferecer aos liberais democratas, ao passo que David Cameron não tem feito muito para se preparar para um parlamento dividido" diz Dunleavy. Mas se os conservadores obtiverem a maioria dos assentos, Clegg será colocado em uma situação difícil, especialmente porque o partido de Cameron tem grandes probabilidades de ter mais votos do eleitorado que os trabalhistas.

 

De acordo com Daniels, se os liberais democratas forem o ponto de equilíbrio na nova Câmara dos Comuns, é muito provável que o partido demande a reforma do sistema eleitoral, ou até mesmo reformas constitucionais, como condição para a entrada em um governo de coalizão, seja com o Partido Trabalhista ou o Partido Conservador.

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