Reuters
Reuters

Assassinos de ativista russa serão encontrados, diz Medvedev

Natalia Estemirova, importante defensora dos direitos humanos, denunciava execuções na Chechênia

16 de julho de 2009 | 08h35

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, manifestou nesta quinta-feira, 16, confiança em que os assassinos de Natalia Estemirova, uma das mais destacadas defensoras dos direitos humanos na Rússia, serão encontrados e prometeu que eles serão punidos. Depois de reunir-se com a chanceler alemã, Angela Merkel, em Munique, Medvedev declarou que crimes como o assassinato da ativista "não podem passar impunes". Merkel qualificou o assassinato como um "acontecimento inaceitável" e pediu que seja feito de tudo para esclarecê-lo.

 

Amigos e conhecidos da vítima, uma ousada investigadora de violações dos direitos humanos no conturbado Cáucaso do Norte, acusam as forças de segurança chechenas de estarem envolvidas no crime. O presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov, prometeu supervisionar pessoalmente a investigação. A promessa de Kadyrov foi feita depois de os Estados Unidos e a União Europeia (UE) terem denunciado o sequestro seguido de execução da ativista, aparentemente ocorrido à luz do dia.

 

O corpo de Natalia foi encontrado na quarta-feira com perfurações de bala na cabeça em uma estrada na Ingushétia, uma república vizinha da Chechênia. Ela estava profundamente envolvida na documentação de abusos dos direitos humanos no território controlado por Kadyrov. Natalia - que era amiga da jornalista russa Anna Politkovskaya, assassinada em 2006 - era colaboradora da organização de direitos humanos Memorial e denunciou diversos abusos das agências policiais chechenas. Fluente em checheno e mãe solteira, Natalia trabalhou como intérprete de Politkovskaya durante o tempo que a jornalista passou na Chechênia.

 

Natalia havia denunciado recentemente execuções arbitrárias na Chechênia, irritando as autoridades pró-Moscou no país. Alexander Cherkasov, que trabalha na sede da Memorial em Moscou, afirmou que as investigações de Natalia atraíram uma atenção negativa por parte do governo. "Ela documentou as violações mais horríveis, execuções em massa, e era o principal contato de jornalistas estrangeiros e organizações internacionais", ressaltou Tatyana Lokshina, da Human Rights Watch (HRW). "Ela fez coisas que nenhuma outra pessoa ousou fazer."

 

Segundo testemunhas, quatro homens aproximaram-se de Natalia perto de sua casa em Grozni e a obrigaram a entrar em um carro branco. Enquanto o carro fugia, Natalia gritou que estava sendo sequestrada. O presidente russo, Dmitri Medvedev, pronunciou-se contra o assassinato da ativista, que causou revolta na comunidade internacional, e ordenou uma investigação. "É evidente que esse assassinato pode estar relacionado às atividades de direitos humanos de Natalia", afirmou Natalya Timakova, porta-voz do Kremlin.

 

Série de violações

 

A morte de Natalia é a mais recente em uma série de assassinatos de jornalistas e militantes dos direitos humanos na Rússia. Em janeiro, o advogado russo Stanislav Markelov, defensor dos direitos humanos, foi morto a tiros em Moscou por um homem mascarado, quando saía de uma entrevista coletiva.

 

A jornalista Anastasia Baburova, que o acompanhava, também foi atingida e morreu horas depois. Markelov, que também trabalhou com Natalia, lutava contra a libertação do general russo Yuri Budanov, acusado de ter matado uma jovem chechena em 2000, que se tornou símbolo dos abusos aos direitos humanos no país.

 

Desde o colapso da União Soviética, a Chechênia tem sido uma dor de cabeça para a Rússia, contabilizando duas guerras e milhares de mortos. Kadyrov foi apontado pelo então presidente e agora premiê Vladimir Putin para tentar pôr um fim à resistência rebelde. Organizações de direitos humanos e jornalistas acusam o governo de Kadyrov de sequestro, tortura e execuções extrajudiciais para conseguir atingir suas metas.

 

O caso Anna Politkovskaya permanece sem solução. No mês passado, o Supremo Tribunal da Rússia anulou a absolvição de três suspeitos do assassinato da jornalista, encontrada morta no prédio onde morava em 2006. A corte ainda ordenou a abertura de novo julgamento sobre o caso. Politkovskaya era uma das maiores críticas do governo do ex-presidente Vladimir Putin e trabalhava, desde 1999, para o jornal Novaya Gazeta. Ela chegou a pedir que o presidente checheno fosse julgado por crimes de guerra. Filha de diplomatas soviéticos de origem ucraniana, que trabalhavam na sede da ONU, ela nasceu em Nova York, mas se mudou para Moscou ainda criança, onde estudou jornalismo.

 

Texto atualizado às 11h15.

Tudo o que sabemos sobre:
Rússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.