Reuters
Reuters

Ataque de mulher-bomba contra ex-ministro turco fracassa

Jovem se passa por estudante para tentar assassinar político durante evento em universidade; ela ficou ferida

Reuters e Efe,

29 de abril de 2009 | 12h10

Uma mulher que portava explosivos e se fingia de estudante detonou uma bomba nesta quarta-feira, 29, na Universidade Bilkent, em Ancara, durante uma visita do ex-ministro da Justiça Hikmet Sami Turk, segundo as autoridades. Turk, que faz visitas regulares ao local, despertou o ódio de grupos esquerdistas quando era ministro, e já recebeu várias ameaças de morte.

 

O artefato foi detonado a cerca de um metro do ex-ministro, mas a bomba não explodiu totalmente. A mulher foi a única ferida no incidente. Horas depois, um segundo suspeito também com explosivos foi detido na capital, enquanto tentava fugir da universidade, disse o canal NTV sem dar detalhes.

 

O governo atribuiu os incidentes a grupos militantes como o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão, grupo que há 25 anos promove a luta armada para pleitear mais direitos para a região curda do sudeste da Turquia). A polícia havia alertado as forças regionais de toda a Turquia sobre a possibilidade de atentados suicidas realizados por grupos vinculados ao PKK.

 

Turk explicou que viu a explosão a um metro de distância e que seu guarda-costas conteve a terrorista, identificada como Sinem Akman. Ele ainda relacionou a tentativa de assassinato com a operação que dirigiu na Justiça em 2000, quando ordenou a transferência de presos políticos que protestavam com uma greve de fome contra as condições da vida na prisão para celas de segurança máxima. Os prisioneiros resistiram e lideraram motins em várias prisões, acabando com a morte de 30 presos e dois soldados.

 

Ainda nesta quarta, nove soldados morreram por causa de uma explosão no sudeste da Turquia, o pior ataque contra a polícia em vários meses. O chefe do Estado-Maior turco, o general Ilker Basbug, confirmou que a explosão aconteceu na passagem de um tanque e um blindado de transporte de tropas por uma estrada da província de Diyarbakir, no sudeste do país.

 

"Um comboio militar passaria pela região. Por isso, o tanque e o veículo encouraçado foram enviados para assegurar a segurança. O tanque passou e a explosão aconteceu na passagem do veículo blindado", explicou. O militar precisou que a explosão foi tão destrutiva que acredita-se que foi usado um "explosivo de fabricação caseira de muita potência", que foi ativado por controle remoto.

 

O ataque no qual perderam a vida nove soldados acontece dois dias depois de a Polícia matar em Istambul um militante de uma organização radical que coopera com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), o grupo armado que luta pela independência dos curdos da Turquia.

 

O PKK pegou em armas contra o Estado turco em 1984, para conseguir a independência dos 12 milhões de curdos que vivem na Turquia. Desde então, cerca de 45 mil pessoas morreram no conflito entre os guerrilheiros e as forças de segurança.

Tudo o que sabemos sobre:
TurquiaPKK

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.