Ataque em casamento deixa pelo menos 45 mortos na Turquia

Homens armados com bombas e pistolas invadiram cerimônia, ferindo seis; atiradores não foram identificados

AP e Reuters,

04 de maio de 2009 | 18h03

Pelo menos 45 pessoas foram mortas durante um ataque em um casamento no sul da Turquia nesta segunda-feira, 4, informou o ministro do Interior, Besir Atalay . Citando declarações do governador da província de Mardin, Ahmet Ferhat Ozen, a emissora NTV anunciou que homens armados com bombas e pistolas automáticas invadiram uma cerimônia na vila de Bilge. Outras seis pessoas ficaram feridas e foram levadas a hospitais locais.

 

Ozen disse por telefone à agência Reuters que homens usando máscaras entraram no local da celebração religiosa onde convidados do casamento estavam reunidos e abriram fogo. A policia paramilitar turca foi enviada para tentar capturá-los. Ainda não está claro quem realizou o ataque, e outras informações dão conta que o episódio aconteceu na vila de Sultansehmuz.

 

Mehmet Besir Ayanoglu, prefeito de Mardin, disse ao jornal local Sabah que o tiroteio "não tem aspecto de um atentado terrorista". As forças de segurança turcas impediam jornalistas de chegar à região, perto da fronteira com a Síria. A agência de notícias local Anatolia informou que o massacre durou 15 minutos.

 

Ayanoglu disse ainda ter falado com duas garotas que sobreviveram, que contaram ter visto dois homens mascarados. "Eles varreram a casa, nós estávamos em dois quartos. Eles abriram fogo contra todos", afirmou as meninas a Ayanoglu, segundo o governador. As sobreviventes disseram que deitaram sobre os corpos de amigos mortos até o ataque terminar.

 

A imprensa local informa que os familiares dos noivos incluíam membros da milícia apoiada pelo Estado, a Village Guard, criada para combater separatistas curdos na área. Não está certo se o incidente está relacionado à Village Guard ou a rebeldes curdos. Soldados turcos e guardas pró-governo têm lutado contra guerrilhas curdas na região. Os rebeldes buscam autonomia desde 1984. Segundo a rede BBC, mais de 40 mil pessoas morreram devido aos combates desde 1984. 

 

Militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) cometeram atentados parecidos na década de 1990, mas ataques contra alvos civis de forma indiscriminada não foram registrados nas últimas décadas. Além disso, o PKK declarou uma trégua unilateral até junho de 2009.

 

(Matéria atualizada às 21h15)

  

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