Ataque mata pelo menos 10 civis na Ucrânia neste sábado

Zonas residenciais de Mariupol, no leste do país, foram atingidas por bombardeio; polícia de Donetsk atribui ataque a separatistas

EFE, O Estado de S. Paulo

24 de janeiro de 2015 | 08h34

Pelo menos dez civis morreram neste sábado durante um ataque com artilharia contra a cidade de Mariupol, no leste da Ucrânia, informou em seu Facebook o chefe da polícia regional de Donetsk, Viacheslav Abroskin, que culpou os separatistas pela tragédia.

"Morreram dez pessoas", escreveu Abroskin em seu Facebook pouco depois que o centro de imprensa das forças ucranianas informou sobre vários ataques com artilharia contra zonas residenciais dessa cidade, a segunda mais importante da região de Donetsk e transformada em sua capital provisória, leal à Ucrânia.

As forças de Kiev citaram o impacto de um projétil disparado por uma plataforma de lançamento de mísseis 'Grad' contra o bairro residencial Vostochni.

Além disso, moradores da cidade denunciaram aos meios de comunicação locais ataques com artilharia contra os bairros Kievski e Ordzhonekidze, onde os disparos incendiaram carros e danificaram vários imóveis, entre eles um mercado.

"Há muitos feridos", escreveu em seu Facebook o batalhão de voluntários "Azov", que participa da defesa da cidade junto às forças ucranianas.

O "Canal 5" da televisão ucraniana informou que os moradores dos bairros atacados tentam fugir da zona, mas o transporte público está saturado e é quase impossível chamar um táxi.

Até agora, o porto de Mariupol, nas margens do mar de Azov e com cerca de meio milhão de habitantes, praticamente se livrou dos estragos do conflito armado que explodiu no leste da Ucrânia, salvo alguns incidentes isolados.

O líder da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD), Aleksandr Zakharchenko, que anunciou nesta sexta uma ampla ofensiva contra as forças de Kiev até conquistar toda a região, descartou no entanto que Mariupol seja por enquanto um alvo prioritário para os rebeldes.

Sepultada já a trégua entre os dois grupos enfrentados que regia desde 9 de dezembro, as hostilidades continuam ao longo de todo a frente nas regiões ucranianas de Donetsk e Lugansk, rebeladas contra Kiev após a derrocada em fevereiro do ex-presidente Viktor Yanukovich.

Três civis morreram ou outros seis ficaram feridos nas últimas 24 horas na região de Donetsk, segundo o número dois do chamado Estado-Maior da RPD, Eduard Basurin.

Basurin assegurou que as tropas ucranianas dispararam sua artilharia contra as cidades de Gorlovka e Makeyevka, enquanto os combates mais duros ocorrem junto às localidades de Peski e Avdeyevka, próximas ao aeroporto de Donetsk que as forças de Kiev deixaram esta semana após 262 dias de resistência.

O conflito entre Kiev e os separatistas vive uma escalada sem precedentes desde a assinatura do acordos de Minsk o mês passado de setembro, agravada pela morte há dois dias de pelo menos oito civis após um ataque com artilharia contra um parada de transporte público em Donetsk.

A ONU, que número já em mais de cinco mil o número de mortos desde o início do conflito, denunciou hoje que cerca de 1,5 milhão de ucranianos se transformaram em deslocados ou refugiados pela guerra no leste do país.

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