Christophe Petit Tesson/EPA
Christophe Petit Tesson/EPA

Ataques contra Macron não ficarão 'sem resposta', diz Hollande

O presidente da França, François Hollande, disse que investigará o vazamento de documentos e e-mails de campanha de Emmanuel Macron

AFP e Reuters, O Estado de S. Paulo

06 Maio 2017 | 15h57

PARIS - O presidente francês François Hollande afirmou neste sábado, 6, que os ataques cibernéticos em massa sofridos pelo candidato Emmanuel Macron, às vésperas do segundo turno da eleição, não ficarão "sem resposta". O político centrista lidera as intenções de votos do pleito. que acontece neste domingo, 7.

"Nós sabíamos que existia risco [de ataques de hackers] durante a campanha presidencial. Nada vai ficar sem resposta. É preciso dar tempo para a investigação", disse Hollande à agência AFP, sem entrar em detalhes. O vazamento ocorre no momento em que o candidato centrista lidera confortavelmente as intenções de voto em relação à candidata de extrema direita, Marine Le Pen.

O ataque foi denunciado pela equipe de Emmanuel Macron na noite desta sexta-feira, 5. O anúncio afirmou que houve uma "ação de pirataria maciça e coordenada" em documentos internos da campanha, como e-mails e comprovantes financeiros. A equipe informou que apenas parte dos documentos vazados é autêntica.

Alguns arquivos falsos teriam sido vazados com "o objetivo de semear a dúvida e a desinformação". A operação foi considerada uma tentativa de “desestabilização democrática”, semelhante ao que ocorreu durante a campanha de Hillary Clinton nos Estados Unidos. A Comissão Nacional de Controle de Campanha Presidencial (CNCCEP) pediu à imprensa francesa e aos cidadãos que os documentos não sejam divulgados, para evitar um impacto maior no resultado da eleição.

O Le Monde, principal jornal da França, optou por não divulgar os arquivos de Macron. O jornal justificou a não publicação ao dizer ser impossível confirmar a veracidade dos dados em poucas horas antes da eleição. A redação disse ainda que a divulgação dos documentos sem a devida apuração, às vésperas do processo eleitoral, seria um ato irresponsável.

A equipe do candidato já havia denunciado tentativas anteriores de invasão de e-mails, culpando a Rússia por interesses em influenciar a campanha. O Kremlin negou estar por atrás do ataque, assim como do que ocorreu durante a campanha de Hillary Clinton. Investigadores apontaram que um grupo ligado ao centro de inteligência militar do governo russo foi o responsável pelo vazamento nos Estados Unidos. O objetivo seria favorecer a eleição de Donald Trump.

Segurança. Mais de 50 mil policiais e cerca de sete mil soldados do Exército farão parte da equipe de segurança durante o dia de eleições presidenciais na França. Apenas em Paris, 12 mil agentes foram escalados para o policiamento.

Além do risco de novos atentados terroristas, a polícia teme manifestações violentas de extremistas de direita ou de esquerda que, após o primeiro turno, foram às ruas para protestar contra a candidata Marine Le Pen.

A eleição é vista como a mais importante no país em décadas, com dois candidatos diametralmente opostos em questões como a permanência na União Europeia. Le Pen prega o fechamento das fronteiras e o abandono do Euro, enquanto Macron pretende aproximar a França do restante da Europa e abrir a economia. / AFP e Reuters

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.