Ataques russos seguem na Geórgia apesar de ordem para trégua

Governo denúncia operações depois de Moscou pedir fim da ofensiva; cinco pessoas teriam morrido em Gori

Agências internacionais,

12 de agosto de 2008 | 09h39

Tropas russas continuam a atacar a cidade de Gori, na região central da Geórgia, e outros vilarejos fora da região separatista da Ossétia do Sul, apesar das ordens de Moscou para que as operações militares forem encerradas na região. Segundo comunicado do governo da ex-república soviética, aviões russos bombardearam duas vilas nos arredores da província conflituosa.   Veja também: Rússia encerra ação na Geórgia; França pressiona por trégua Geórgia deixa aliança de ex-repúblicas soviéticas Refugiados chegam a 100 mil, diz ONU Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam o conflito  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia   O presidente russo, Dmitry Medvedev, ordenou nesta terça-feira, 12, a suspensão das operações militares na Geórgia, argumentando que os objetivos da guerra haviam sido alcançados. Pouco antes de discutir a situação no Kremlin com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, Medvedev deu ordens ao ministro da Defesa, Anatoly Serdyukov, para "parar a operação para forçar as autoridades georgianas à paz". "O objetivo da operação foi alcançado", disse Medvedev pela TV. "O agressor foi punido e sofreu perdas muito consideráveis."   Cinco civis morreram em explosões na cidade de Gori, embora generais russos neguem o ataque. Analistas disseram, vendo imagens de TV, que as explosões provavelmente foram provocadas por morteiros, de origem não-identificada. A emissora RTL disse posteriormente que um cinegrafista holandês morreu e um correspondente ficou ferido.   As forças de paz russas disseram que as militares georgianos continuam atirando periodicamente na Ossétia do Sul, mesmo depois de Moscou ter declarado uma suspensão das operações militares. "Grupos separados de forças armadas georgianas estão tentando atirar periodicamente contra as posições russas em vários locais (na Ossétia do Sul)", disse um porta-voz das forças de paz russas. A Geórgia diz que retirou suas forças dali, guiando-as para Tbilisi para defender a capital.   O ministro da Reintegração da Geórgia, Temuri Yakobashvili, afirmou que "a guerra não terminará até que saia o último ocupante" do território georgiano, em um comparecimento ao vivo pela televisão. "Agora começamos o componente diplomático desta guerra", disse o ministro georgiano, que não comentou o anúncio do presidente russo, Dmitri Medvedev, sobre a decisão de colocar fim às ações militares. Yakobashvili pediu à população civil que não mantenha nenhum tipo de relação com as tropas ocupantes.   O primeiro-ministro da Geórgia, Lado Gurgenidze, disse à Reuters que os russos ainda precisam comprovar o cessar-fogo. Ele afirmou que seu país continuará "preparado para tudo" até que Moscou assine um tratado de paz formal.   Chegando ao Kremlin para o encontro, Sarkozy disse que a suspensão dos combates foi "uma boa notícia". "Um cessar-fogo agora tem de tomar forma. Precisamos preparar um rápido calendário para que cada lado possa voltar às posições de antes da crise". Sarkozy disse ainda considerar "perfeitamente normal" que Moscou defenda cidadãos russos além de suas fronteiras, mas observou que a integridade territorial da Geórgia "deve ser respeitada".   Medvedev estabeleceu duas condições para a resolução total do conflito: que as tropas georgianas voltem às posições iniciais, desmilitarizando-as parcialmente, e se comprometam a não usar a força. Não está claro se Tbilisi aceitaria tais condições. "Os objetivos das operações foram atingidos. A segurança de nossas forças de paz e da população civil tem de ser recuperada", afirmou durante um encontro com seu ministro da Defesa, Serguei Ivanov, informou a agência de notícias Interfax.   Ajuda humanitária   A ONU e o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) disseram que não têm acesso à Ossétia do Sul, onde forças da Geórgia e da Rússia se enfrentam há cinco dias, e que suas reiteradas reivindicações para que se abra um corredor humanitário até a região conflituosa não foram atendidas.   O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) informou que, segundo os últimos dados dos governos de Rússia e Geórgia, os deslocados pelos combates já seriam cerca de 100 mil. O Escritório de Ajuda Humanitária da ONU (Ocha) reiterou seu apelo "a todas as partes deste conflito para que permitam às organizações humanitárias terem acesso sem nenhuma restrição à população, às pessoas feridas e a todos aqueles que necessitam de ajuda".   "Estamos preocupados porque não podemos chegar à Ossétia do Sul. Desde sexta-feira, pedimos um acesso seguro e sem restrições a todas as áreas afetadas pelo conflito", declarou a porta-voz do CICV, Anna Nelson. "Temos presença na Geórgia e na Ossétia do Norte (Rússia), mas não temos possibilidade de nos movimentarmos na Ossétia do Sul", afirmou.   Anna garantiu que sua organização também pediu para ter acesso a todos os presos por ambas as partes no conflito. Por enquanto, seus delegados puderam ver dois pilotos russos capturados por forças georgianas, que "estão bem", e puderam enviar mensagens às suas famílias através do CICV.   A porta-voz do Ocha, Elisabeth Byrs, disse que a ONU também pediu "que deixe os médicos e as ambulâncias se ocuparem dos mortos e dos feridos". Da mesma forma, "solicitamos dois corredores humanitários, um para o norte e outro para o sul, que permitam às pessoas abandonar as áreas de conflito, o que não foi feito na prática", destacou.   O responsável do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para a Europa central e oriental, Gordon Alexander, disse que a criação desse corredor para encaminhar a ajuda "é uma questão crítica". Gordon também afirmou que é fundamental atender às pessoas que estão fugindo das regiões de combate, muitas das quais são crianças que chegam sozinhas a outros lugares.   Matéria atualizada às 10h40.

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