Ataques suicidas matam ao menos 4 policiais na Chechênia

Rebeldes reivindicam explosão de hidrelétrica e falam em 'guerra econômica'; Para Moscou, afirmação é 'idiotice'

21 de agosto de 2009 | 08h54

Pelo menos quatro policiais morreram nesta sexta-feira, 21, em uma série de ataques suicidas perpetrados em Grozni, a capital da Chechênia, informaram fontes da Procuradoria dessa república russa no Cáucaso Norte. Os ataques foram registrados no mesmo dia em que um grupo islâmico checheno divulgou um comunicado assumindo a autoria de um atentado contra uma delegacia que deixou 25 mortos na república russa da Ingushetia e pela explosão de uma central hidrelétrica na Sibéria, em que mais de 70 pessoas podem ter morrido.

 

"Houve explosões nas ruas Pervomaiskaya, Bodan Jmelnitski, Zhukovski e no bairro Oktiabrski. Em todos os casos eram terroristas que se deslocavam em bicicletas e que detonaram as cargas explosivas que carregavam", disse um porta-voz da Procuradoria citado pela agência Interfax. Os serviços de emergência afirmaram que outros quatro policiais e dois civis foram feridos.

 

Em uma página na internet usada pelos rebeldes chechenos (www.kavkazcenter.com), um grupo autodenominado Batalhão de Mártires afirma que, no início de uma "guerra econômica" contra a Rússia, lançou uma granada antitanque na central hidrelétrica de Sayano-Shushenskaya, no sul da Sibéria, onde uma explosão matou ao menos 30 pessoas e outras 45 estão desaparecidas - segundo o governo, provavelmente mortas. As autoridades russas mantiveram a hipóteses de que houve um acidente e chamaram de "idiotice" a reivindicação.

 

Algumas horas depois do incidente na Sibéria, um caminhão-bomba atingiu uma delegacia em Nazran, maior cidade da república russa da Ingushétia, matando ao menos 20 pessoas e ferindo 140. A explosão foi a mais letal nessa região ao sul do país em anos recentes, pondo fim às afirmações do Kremlin de que a área vinha se estabilizando depois de duas guerras na Chechênia e de crescente violência nas repúblicas vizinhas desde 1994. A Ingushétia, na região do Cáucaso, vem sofrendo com uma onda de atentados terroristas nos últimos meses, incluindo um ataque suicida em junho que deixou o presidente local, Yunus-Bek Yevkurov, indicado pelo Kremlin, seriamente ferido.

 

"Louvado seja Alá, graças aos nossos esforços, em 17 de agosto promovemos uma operação subversiva em Khakasia, na central hidrelétrica de Sayano-Shushenskaya". Segundo o grupo, uma granada antitanque foi colocada na sala de máquinas e a explosão causou mais destruição do que o esperado. Os trabalhadores foram surpreendidos por uma avalanche de água que inundou a sala de máquinas. Segundo o grupo, seu líder, Doku Umarov, colocou em operação uma "guerra econômica" contra a Rússia e enviou grupos rebeldes por todo o país para promoverem atentados contra gasodutos, oleodutos e centrais elétricas.

 

Moscou não deu nenhuma credibilidade à reivindicação do grupo checheno e mantém a hipótese de acidente na hidrelétrica. Uma fonte do Kremlin classificou como "idiotice" o comunicação no site, enquanto investigações não apontaram traços de explosivo na central atingida.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaChechênia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.