Atentados raciais na França podem ajudar Sarkozy em eleição

Uma série de supostos homicídios racistas na França pode beneficiar eleitoralmente o presidente Nicolas Sarkozy, por servir de vitrine para a sua liderança a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial.

PAUL TAYLOR, REUTERS

20 de março de 2012 | 16h51

A reação de Sarkozy aos atentados contra uma escola judaica e contra soldados de origem muçulmana no sul do país lhe permite reconquistar a primazia moral, conduzir a nação num momento de luto e envergar seu uniforme favorito, o de policial-em-chefe da França.

O presidente suspendeu seus compromissos de campanha e compareceu ao local do ataque que matou três crianças e um professor em Toulouse. Ele pediu um minuto de silêncio em escolas de todo o país, e reuniu líderes judeus e muçulmanos no seu gabinete.

Como fizeram então o presidente George W. Bush nos EUA depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 e o premiê norueguês, Jens Stoltenberg, após o massacre de Oslo em agosto passado, Sarkozy buscou palavras e gestos que manifestassem choque, determinação e unidade nacional.

"Toda a república se sente preocupada", disse Sarkozy a alunos de uma escola de Paris onde participou de um momento de silêncio na terça-feira. "Aconteceu em Toulouse, em uma escola religiosa, com crianças de famílias judaicas. Mas poderia ter acontecido aqui. Essas crianças são como vocês."

O cientista político Dominique Reynie disse que o ataque é o tipo de fato imprevisível que pode sacudir uma campanha eleitoral - na qual, ao menos até agora, as pesquisas preveem a derrota do presidente.

"O tom da campanha não pode voltar ao que era", disse ele à Reuters. "A campanha foi dominada por um tom agressivo e um forte grau de retórica populista. Essa retórica irá cessar porque haverá uma exigência dos eleitores por uma cura."

A imigração e o islamismo têm sido temas importantes numa campanha em que Sarkozy tenta recuperar o apoio de uma parcela do eleitorado que se atrai pela ultradireitista Marine Le Pen. Reynie disse que as pesquisas de opinião indicam um pano de fundo de crescente hostilidade aos muçulmanos e judeus na França e em outros lugares da Europa.

(Reportagem adicional de Elisabeth Pineau e Thierry Leveque)

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