Atirador alemão alertou sobre massacre em sala de bate-papo

Governo afirma que polícia foi avisada sobre a mensagem após o ataque que matou 15 pessoas na Alemanha

Agências internacionais,

12 de março de 2009 | 09h09

O adolescente de 17 anos que cometeu um dos crimes mais bárbaros da história contemporânea da Alemanha, ao matar 15 pessoas antes de se suicidar, teria avisado sobre o ataque em uma sala de bate-papo na internet, segundo afirmaram oficiais alemães nesta quinta-feira, 12. "Estou farto desta vida" e "ninguém reconhece o meu potencial" foram algumas das frases usadas por Tim Kretschmer no chat, advertindo ainda para que todos ficassem atentos ao que aconteceria em Winnenden.   Veja também: 'Era arrogante, mas não agressivo', diz treinador Após ataques, Europa apressa-se para restringir armas de fogo  TVs exibem vídeo dos últimos momentos do atirador alemão  Cronologia dos principais ataques contra escolas   As palavras de Kretschmer alertando sobre o massacre foram registradas às 2h45 do dia do ataque por um jovem da Baviera, segundo afirmou o Ministro de Interior de Baden Württemberg, Heribert Rech. "Tenho armas aqui, e amanhã, pela manhã, irei até a minha antiga escola e levarei o inferno a todos", escreveu o jovem atirador no fórum de discussão na internet. "Vocês ouvirão sobre mim amanhã, lembrem-se do nome de um lugar chamado Winnenden". O ex-aluno encerrou o bate-papo dizendo "não digam nada para a polícia agora, não se preocupem. Estou apenas importunando vocês". Segundo o ministro, um homem disse às autoridades que seu filho de 17 anos contou a ele sobre o que ocorrera na sala de bate-papo depois de ver as notícias e que não havia considerado a ameaça com seriedade.   O investigador Siegfried Mahler disse que as autoridades souberam que o suspeito foi tratado de depressão em 2008, tendo passado por cinco visitas ao psiquiatra entre abril e setembro numa clínica da região. Ele deveria ter continuado o tratamento em outra clínica, mas aparentemente não apareceu às consultas, disse Mahler. Segundo a BBC, a expectativa era de que as autoridades abordassem as especulações de que Tim Kretschmer teria buscado alvejar principalmente mulheres na escola em Winnenden, perto de Stuttgart. Onze - oito alunas e três professoras - de suas doze vítimas na escola eram do sexo feminino.   A polícia encontrou munição para mais 130 tiros no corpo do rapaz. O assassino utilizou uma pistola automática que seu pai guardava em casa, assim como mais de 200 balas que tomou de um dos dois depósitos fechados com uma combinação que, segundo a polícia, devia conhecer. Rech disse que, no colégio onde matou nove alunos e três professores, o jovem fez 60 disparos e outros nove no parque do hospital psiquiátrico no qual deveria ter continuado seu tratamento e onde assassinou um jardineiro. Ele ressaltou que o jovem era um experiente atirador que acompanhava com frequência o pai no clube de tiro do qual era membro. As razões que levaram Krestchmer a cometer a matança ainda não estão claras, disse a polícia. Segundo as primeiras investigações, Kretschmer gostava de jogos de computador violentos.   As bandeiras nesta quinta-feira foram colocadas a meio-mastro na Alemanha. Centenas de pessoas compareceram a missas na cidade na quarta-feira, em memória das vítimas e flores foram depositadas em frente à escola.   Código secreto   Apesar do grande número de vítimas, o ataque poderia ter sido pior se o diretor da escola não tivesse alertado os professores com um código combinado previamente no sistema público de ensino do país para o caso de um suspeito invadir a instituição. Segundo informações da imprensa, depois que o jovem entrou no prédio e abriu fogo, o diretor colocou o plano em prática, divulgando a mensagem "Frau Koma está chegando" aos professores, afirmaram estudantes. "Então os professores fecharam as portas e pediram para que as janelas fossem fechadas e para que sentássemos no chão", afirmou uma aluna.   Na Alemanha, a palavra "amoklauf" é usada para descrever tiroteios em escolas, e "koma" é a inversão da palavra "amok". O código foi criado para educadores alemães depois do ataque em Erfurt, em 2002, para alertar os professores. Na ocasião, um jovem de 19 anos, Robert Steinhaeuser, atirou e matou 12 professores, uma secretária e dois estudantes e um policial antes de suicidar-se, no colégio Gutenberng, em Erfurt. Steinhaeuser, que havia sido expulso do colégio após falsificar uma nota, tinha porte de arma e participava de um clube de tiro. Após o ataque, a Alemanha aumentou a idade mínima para a posse de armas, de 18 para 21 anos.    Como foi o massacre   A chacina começou nas dependências da Albertville Realschule, um colégio situado em Winnenden, a 20 quilômetros de Stuttgart. De acordo com a polícia, Tim Kretschmer, ex-aluno do colégio, totalmente vestido de preto, invadiu o prédio com uma pistola Beretta 9 milímetros. Kretschmer invadiu o prédio da escola pouco antes das 9h30.   Com a arma em punho, ele teria subido as escadas até o primeiro andar, onde se situam as salas de aula, para então abrir fogo. Demonstrando perícia, suas primeiras vítimas foram mortas com tiros na cabeça. As oito alunas e um aluno assassinados tinham entre 14 e 16 anos.   Algumas de suas vítimas, segundo testemunhas, foram encontradas mortas com a cabeça sobre a carteira e a caneta ainda nas mãos, numa indicação de que foram baleadas na nuca.   O banho de sangue continuaria com a fuga do jovem pelas ruas de Winnenden, onde um funcionário de uma clínica psiquiátrica também acabou morto. Kretschmer, então, obrigou um motorista a levá-lo de carro a uma cidade vizinha.   Enquanto Kretschmer trocava tiros com a polícia, o motorista conseguiu abandonar o carro. A perseguição - que envolveu 700 policiais e 4 helicópteros - prosseguiu com o assassino ao volante. Cercado, o jovem invadiu uma loja de automóveis, matando um vendedor e um cliente. Ferido, segundo a polícia, ele teria cometido suicídio.  

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