Atirador francês se joga de janela sob intenso tiroteio

Um franco-argelino de 23 anos, suspeito de matar sete pessoas em nome da Al Qaeda neste mês no sul da França, morreu nesta quinta-feira ao saltar da janela do seu apartamento, em meio a um intenso tiroteio depois de policiais invadirem o local.

JOHN IRISH, REUTERS

22 Março 2012 | 09h17

"No momento em que uma sonda de vídeo foi enviada ao banheiro, o assassino saiu do banheiro, disparando com extrema violência", disse o ministro do Interior, Claude Gueant, acrescentando que o suspeito Mohamed Merah manipulava várias pistolas ao mesmo tempo.

"No final, Mohamed Merah saltou pela janela de arma em punho, continuando a atirar. Ele foi encontrado morto no chão", disse ele a jornalistas no local. Dois policiais envolvidos na operação ficaram feridos.

O grupo de operações especiais da polícia entrou no prédio de cinco andares onde Merah vivia, num subúrbio de Toulouse, depois de cercar o local desde a madrugada de quarta-feira.

Gueant chegou a dizer anteriormente que a polícia tinha esperança de prender Merah com vida. Durante as negociações, o suspeito confessou ter matado três soldados e atacado uma escola judaica, onde tirou a vida de três crianças e um rabino.

O presidente Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição no mês que vem, havia prometido justiça nesse caso, e pediu às pessoas que não buscassem vingança. Analistas dizem que a forma como o incidente foi conduzido pode abalar as suas já diminutas chances eleitorais.

Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, a primeira depois do massacre escolar desta semana, mostra Sarkozy oito pontos percentuais atrás do seu rival socialista numa simulação de segundo turno, embora o presidente conservador tenha uma ligeira vantagem para a primeira rodada da votação.

Durante a negociação, Merah disse que agiu para vingar as mortes de crianças palestinas e o envolvimento do Exército francês no Afeganistão. Durante a noite, ele se manteve em silêncio por várias horas.

"Apesar dos renovados esforços ao longo da noite para estabelecer contato por voz e rádio, não houve contato, ele não apareceu", disse Gueant.

Cidadão francês de origem argelina, Merah já estava havia anos sob vigilância dos serviços de inteligência. Nas primeiras horas da quarta-feira, ele alvejou os policiais que tentaram se aproximar do seu apartamento, e depois se gabou com os negociadores de ter colocado a França de joelhos.

Ele disse que só lamentava não ter conseguido matar mais gente.

(Reportagem adicional de Jean Decotte e Nick Vinocur, em Toulouse)

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