REUTERS/Vasily Fedosenko
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Ativista de oposição Olga Kovalkova deixa a Bielo-Rússia após sair da prisão

Presa no último dia 25, Kovalkova disse que autoridades ameaçaram detê-la novamente se não deixasse o país

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2020 | 19h08

VARSÓVIA - A ativista de oposição bielorrusa Olga Kovalkova chegou à capital polonesa, Varsóvia, neste sábado, 5, afirmando ter sido forçada por autoridades a sair de seu país.  “Representantes da milícia e do Ministério do Interior da Bielo-Rússia vieram até mim e disseram que se eu não concordasse em ir embora, enfrentaria longas prisões. Foi dito que haveria mais (prisões) até o infinito", relatou a ativista em coletiva na Polônia.

Kovalkova foi assessora de Svetlana Tikhanovskaya, candidata derrotada nas eleições de 9 de agosto, e é atualmente uma figura importante no comitê de coordenação da oposição da Bielo-Rússia. No último dia 25, ela foi sentenciada a 10 dias de prisão por seu envolvimento e liderança nos protestos contra o governo.

“Eles vieram para o centro de detenção onde eu estava isolada, deram-me um chapéu e uma máscara, e tiraram-me da prisão. Fiquei deitada no banco de trás, para não ver nada”, contou a ativista neste sábado. Ela diz ter sido levada até a fronteira, entrando na Polônia pela cidade de Kuźnica antes de viajar à capital, Varsóvia. “Todas essas ações não vão me impedir, vou continuar a atuar politicamente e pretendo voltar à Bielo-Rússia para continuar minhas atividades", disse Kovalkova.

Também no sábado, autoridades polonesas confirmaram que Svetlana Tikhanovskaya, principal líder da oposição bielorrussa, visitará Varsóvia na quarta-feira, onde se encontrará com o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki.

Protestos

O presidente da Bielo-Rússia, Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, enfrenta uma onda de protestos da oposição desde sua vitória nas eleições de 9 de agosto. Ele negou as acusações da oposição e de países ocidentais de que a votação foi fraudada e resistiu às exigências de renúncia. Especialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) relataram ter recebido relatórios de centenas de casos de tortura, espancamento e maus-tratos de manifestantes pela polícia./Com informações de Reuters

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