Audiência de Tymoshenko é adiada para depois da Euro 2012

Um tribunal ucraniano adiou nesta segunda-feira o julgamento por evasão fiscal da ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko para meados de julho, um movimento que vai poupar mais publicidade negativa para Kiev durante o torneio de futebol Euro 2012.

REUTERS

25 de junho de 2012 | 13h23

A ira ocidental com a acusação de Tymoshenko - que ela diz ser uma caça às bruxas por motivos políticos - já levou alguns políticos europeus a boicotar partidas do campeonato de futebol, que a Ucrânia está co-sediando com a Polônia.

Em uma audiência na cidade de Kharkiv, o juiz Kostyantyn Sadovsky suspendeu audiências adicionais no caso de evasão fiscal até 10 de julho, a pedido de procuradores do Estado, ordenando um exame médico de Tymoshenko, 51 anos, para avaliar se ela está apta a participar do próprio julgamento.

Recebendo tratamento para problemas na coluna em um hospital estatal na cidade, a co-líder da Revolução Laranja no país, em 2004, disse que não está bem o suficiente para comparecer.

A atitude de alguns políticos de boicotar os jogos na Ucrânia foi motivada pela decisão de um tribunal de Kiev que condenou Tymoshenko, em outubro, a sete anos de prisão por abusar de seus poderes em 2009, quando era primeira-ministra. Ela nega a acusação.

Essa condenação - uma punição severa e inesperada - desencadeou críticas internacionais.

O caso mais recente envolve sonegação de impostos e desvio de fundos na década de 1990.

De acordo com uma lista oficial de acusações publicadas no jornal Kommersant Ukraine nesta segunda-feira, a agora extinta empresa de comércio de gás de Tymoshenko causou danos equivalentes a cerca de 4 milhões de dólares ao Estado, enquanto a ex-ministra pessoalmente deixou de pagar 85.000 dólares em impostos. Duas vezes primeira-ministra, Tymoshenko nega qualquer irregularidade.

Tymoshenko não estava presente na breve audiência nesta segunda-feira, mas dezenas de seus partidários se reuniram em frente ao prédio gritando "Liberte Yulia!".

O presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, o homem que ela acusa de orquestrar sua perseguição por sua atuação na oposição, tem dito repetidamente que espera que o torneio de futebol Euro 2012 ajude a melhorar a imagem internacional da Ucrânia e atraia investimento estrangeiro.

Quaisquer novos movimentos legais contra Tymoshenko durante o evento certamente atrairiam publicidade indesejada e analistas dizem que o tribunal está relutante em tomar uma decisão até o fim do campeonato em 1 de julho, quando o país estará fora dos holofotes da mídia.

A União Europeia já arquivou acordos importantes sobre livre comércio e associação política com a ex-república soviética em resposta à sentença de prisão de Tymoshenko.

Bruxelas vê o caso como um exemplo de justiça seletiva e pediu sua libertação, mas os promotores ucranianos, ao contrário, impuseram mais acusações sobre Tymoshenko.

Tymoshenko ajudou a liderar os protestos da Revolução Laranja de 2004 que atrapalharam a primeira tentativa de Yanukovich de se lançar à presidência, mas ela perdeu por pouco a eleição presidencial de 2010 para ele.

Ela e uma série de seus aliados da oposição têm enfrentado desde então acusações relacionadas a corrupção que Tymoshenko rejeita, alegando que são fruto de vingança política.

Separadamente, audiências em seu apelo contra a condenação por abuso de poder serão retomadas na terça-feira em Kiev.

(Reportagem adicional da Reuters TV)

Tudo o que sabemos sobre:
UCRANIATYMOSHENKOADIAAUDIENCIA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.