Aumentam críticas contra expulsão de ciganos da França

Arcebispo de Paris, comissária de Justiça da UE e Anistia Internacional condenam medida

estadão.com.br,

26 de agosto de 2010 | 16h49

Criança cigana em acampamento no sudeste da França. Foto: Pascal Rossignol/Reuters

PARIS - A onda de críticas ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, por conta da expulsão de ciganos da França aumentou nesta quinta-feira, 26. Autoridades da Igreja, da UE e de ONGs de direitos humanos condenaram a medida, tida como preconceituosa. O governo diz que as críticas são políticas.

O arcebispo de Paris, Andre XXIII, se juntou nesta quinta-feira aos críticos da deportação de ciganos na França, promovida pelo presidente Nicolas Sarkozy. O religioso deve se encontrar com o ministro do Interior, Brice Hortefeux, para discutir a questão.

"Devo lembrar-lhe que certos limites não devem ser rompidos. A questão foi tratada como um circo durante o verão", disse o cardeal à rádio Europe-1. Recentemente, em um sermão, Andre XXIII criticou a deportação.

No domingo, o papa Bento XVI pediu que os católicos aceitem a 'legítima diversidade humana', em uma mensagem interpretada como uma referência à questão.

A Comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding também criticou a medida. "Parte da retórica que tem sido usada é abertamente discriminatória e potencialmente incendiária", disse. Para a Anistia Internacional - ONG que monitora os direitos humanos no mundo - a postura do governo francês pode levar a mais discriminação.

Ontem, Hortefeux classificou as críticas como políticas e garantiu que não há preconceito na medida. Segundo ele, 117 campos foram desmontados e centenas de imigrantes voltaram para o leste europeu.

Uma pesquisa publicada hoje indica que a medida é polêmica. Segundo a consulta feita a pedido do jornal Le Parisien, 48% dos franceses são a favor da expulsão dos ciganos. 42%, contra.

O governo do presidente Nicolas Sarkozy começou a deportar ciganos para a Romênia e Bulgária neste mês. Eles são acusados de atividades criminosas, como prostituição e exploração de crianças.

Segundo o governo, a maioria parte voluntariamente e recebe uma ajuda de custo de 300 euros. Seus acampamentos são desmontados pela polícia. Nesta quinta-feira, mais 300 ciganos chegaram à Romênia.

Com informações da AP

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