Max Rossi/Reuters
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Austeridade afunda popularidade de novo premiê da Itália

Mario Monti já enfrenta pedidos por greve nacional pouco menos um mês após assumir o governo

Reuters

07 de dezembro de 2011 | 13h31

ROMA - O novo primeiro-ministro da Itália, Mario Monti, tentando aprovar um duro pacote de austeridade que ele alega ser vital para a salvação financeira do país, enfrentou dois pedidos por greves nacionais e viu o apoio público declinar nesta quarta-feira, 6.

 

As três principais confederações sindicais anunciaram uma greve nacional conjunta de três horas no setor privado em 12 de dezembro. Os trabalhadores do setor público vão entrar em greve por oito horas em 19 de dezembro contra o pacote de 30 bilhões de euros (US$ 40,3 bilhões) que afetará os impostos sobre propriedade e a aposentadoria.

As ações trabalhistas ocorrem quando Monti é atingido por uma nova pesquisa que mostrou que seu índice de aprovação caiu para 64% dos 73% registrados no final do mês passado, antes que os detalhes do pacote fossem conhecidos.

Monti, um ex-comissário europeu que formou um governo de tecnocratas em 17 de novembro, disse em uma entrevista na televisão na noite de terça-feira que o pacote é vital para evitar o risco da Itália se tornar insolvente e não ser mais capaz de pagar salários do setor público ou as aposentadorias.

Ele disse estar confiante de que os italianos irão entender que esses sacrifícios são necessários e que as medidas são justas. "Tenho certeza de que haverá protestos, e posso até mesmo considerá-los justificados, mas tenho certeza de que os cidadãos vão entender," disse.

A pesquisa feita pela organização IPSO para o jornal Corriere della Sera disse que 66% dos italianos aprovavam as medidas de forma geral, mas que estavam divididos sobre se os danos foram distribuídos de forma justa.

Enquanto 93% disseram concordar com os impostos sobre os ricos, como as novas taxas sobre grandes barcos de lazer, carros luxuosos e aviões particulares, apenas 35% concordavam com planos para reinstalar um imposto sobre primeiras residências.

Enquanto 82% concordavam com planos para reduzir o financiamento a partidos políticos e reduzir os custos da burocracia administrativa, apenas 30% aprovavam os planos de aumentar o VAT em dois pontos percentuais a partir de setembro de 2012.

Apenas 39% concordaram com as mudanças no sistema previdenciário. A partir de 2012, a aposentadoria será calculada apenas sobre a base de contribuições pagas ao sistema, e não pelo salário no fim de carreira. A idade mínima para a aposentadoria foi aumentada para 62 anos no caso de mulheres e 66 anos para os homens.

Uma das medidas mais polêmicas é a eliminação do ajuste anual de inflação para quem recebe pensão mensal de mais de 936 euros. Sindicatos e alguns partidos políticos dizem que isso é muito baixo e vai prejudicar muita gente.

Monti se nega a aceitar quaisquer tentativas de atenuar o pacote com emendas, dizendo que as medidas foram "cuidadosamente pesadas" e que a Itália tem pouco tempo para aprovar o plano.

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