Austrália libera parte de conversa entre suspeitos de Londres

Médico apontado como responsável por atentados no Reino Unido manteve contato com irmão na Índia

Agência Estado e Efe,

31 Julho 2007 | 16h51

O governo da Austrália revelou nesta terça-feira, 31, parte do conteúdo de uma conversa pela internet que o médico indiano Mohammed Haneef manteve com seu irmão que estava na Índia na tarde em que foi detido como suspeito de ter ligações com uma organização terrorista. O Serviço de Imigração se baseou nessa conversa para cancelar o visto de trabalho do médico indiano, que foi libertado em seguida.   A polícia australiana continua suspeitando de Haneef, apontado como possível envolvido nas recentes tentativas de atentado no Reino Unido, segundo o ministro da imigração australiano, Kevin Andrews. Em entrevista coletiva, o ministro disse ainda que, segundo a Advocacia-Geral do Estado, a conversa é prova suficiente para cancelar o visto.   "Não revelarei todo o material protegido, como me foi recomendado pelo diretor da Polícia Federal australiana, já que isso prejudicaria ou colocaria em risco investigações futuras", disse Andrews.   Na semana passada, foram retiradas as acusações contra Haneef, de 27 anos, por falta de evidências. A polícia entretanto, continua a investigar o rapaz.   Segundo ele, a conversa pode provar que Haneef sabia, a priori, dos atentados no Reino Unido e que tinha utilizado o nascimento de sua filha - ocorrido seis dias antes de sua detenção no aeroporto de Brisbane, capital do estado de Queensland - como pretexto para sair da Austrália.   Haneef, que trabalhou como médico residente em um hospital público da Austrália por cerca de um ano, foi preso no dia 2 de julho em um aeroporto do país, quando tentava viajar para a Índia. Dois primos dele foram presos no Reino Unido por suspeita de participação nas tentativas de atentados em Londres e Glasgow.   A conversa   O irmão de Haneef diz na conversa que não foi encontrado nada sobre ele e pergunta quando o acusado sairia da Austrália. Haneef responde "hoje", segundo Andrews. "O irmão perguntou a Haneef se tinha permissão do hospital (de Gold Coast, onde trabalhava), e ele respondeu que tinha dito a eles que sua filha tinha nascido por cesárea", acrescentou.   "O irmão disse: 'Diga a eles que você tem que partir porque tem uma filha. Não diga mais nada'. Ressaltou ainda que não deixasse ninguém utilizar seu número de telefone na Austrália, que não o desse a ninguém, e que 'a tia' tinha dito que o irmão Kafeel tinha usado o cartão como identificação no Reino Unido", explicou Andrews.   O ministro de Assuntos Exteriores australiano, Alexander Downer, afirmou que exporá ao chanceler indiano, Shri Pranab Mukherjee, as razões da Austrália para o cancelamento do visto de trabalho do médico. Os dois se reunirão na quinta-feira, em Manila, por ocasião da 14ª reunião ministerial do Fórum Regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).   Haneef, que chegou à Índia na segunda-feira, considera-se vítima de uma "conspiração australiana", quer recuperar o visto de trabalho e exigiu às autoridades da Austrália que peçam perdão a seu país e a seus cidadãos.   O médico indiano ficou retido por 12 dias em aplicação da lei antiterrorista. Depois, foi acusado de "apoio imprudente a uma organização terrorista" por sua relação com seus primos Kafeel e Sabeel Ahmed e foi libertado quando a Promotoria retirou as acusações. Segundo as acusações, Kafeel e Sabeel Ahmed teriam participado dos atentados terroristas fracassados no Reino Unido.   Os advogados do Estado tinham fundamentado as acusações em um cartão telefônico em nome de Haneef que foi encontrado no carro utilizado na tentativa de atentado em Glasgow, e que depois se descobriu ser falso.

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