(AP Photo|Ronald Zak, File) Byline: Ronald Zak
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Áustria deve eleger hoje líder jovem e aliar-se à extrema-direita

Sebastian Kurz, de 31 anos, Partido Popular da Áustria (ÖVP), se eleito, será o mais jovem líder da Europa

O Estado de S.Paulo

15 Outubro 2017 | 06h09

Os 6,4 milhões de eleitores austríacos vão hoje às urnas para decidir quem vai ocupar as 183 cadeiras do Conselho Nacional, câmara baixa do parlamento, e que partido terá a maioria, com poder de indicar o novo primeiro-ministro. Até agora, pesquisas indicam que o vencedor será o Partido Popular da Áustria (ÖVP), de centro-direita, liderado pelo atual ministro das Relações Exteriores, Sebastian Kurz, de 31 anos. Se eleito, ele será o mais jovem chefe de estado da Europa.

Christian Kern, de 51 anos, chanceler desde maio de 2016 pelo Partido Social-Democrata (SPÖ), tenta se reeleger. Seu partido, de centro-esquerda, não conseguiu evitar as tensões com o ÖVP, o que levou à antecipação das eleições, que deveriam ocorrer apenas em 2018. O rompimento entre eles deve beneficiar o ultranacionalista Partido da Liberdade (FPÖ), de extrema-direita, que será cortejado para a formação de uma nova coalizão.

+++Partido ultradireitista perde eleição na Áustria

Nas eleições presidenciais realizadas em dezembro de 2016, o candidato do FPÖ, Norbert Hofer, conseguiu mais de 46% dos votos, mas acabou derrotado por Alexander Van der Bellen, do Partido Verde. Uma mudança para a direita no país de 8,75 milhões de habitantes seria indesejada pela União Europeia, que recentemente viu o crescimento de legendas de ultranacionalistas em países como Alemanha e França. 

Projeções indicam que o ÖVP, que prometeu endurecer as regras para imigrantes e diminuir impostos, deve sair vitorioso com 30% dos votos. Estima-se que o partido ultranacionalista, fundado por ex-nazistas, possa chegar a 25% dos votos. O chefe do partido, Heinz-Christian Strache, de 48 anos, deu declarações na última sexta contrárias aos imigrantes e prometeu impedir com que os austríacos "se tornem uma minoria dentro de sua própria nação".

"A Áustria está em sua mais importante encruzilhada em décadas", alertou o atual chanceler. Analistas teme a aproximação da Áustria com os países do Viségrad — bloco formado por Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca

A Áustria deve ficar com a presidência da União Europeia no segundo semestre de 2018. As conversas para o Brexit devem se encerrar em março de 2019.

Jovem liderança. Nascido em agosto de 1986, na capital Viena, Kurz começou a fazer política ainda na juventude e entrou para o ÖVP em 2003. Em 2011, aos 25 anos, foi nomeado subsecretário do Ministério do Interior e se ocupou das políticas de integração de imigrantes no país.

Em 2013, aos 27, assumiu o Ministério das Relações Exteriores, tornando-se o mais jovem ministro na história da Áustria. No comando da pasta, ganhou notoriedade por sua política de pulso firme em relação à crise migratória, que incluiu o fechamento das fronteiras para solicitantes de refúgio que chegavam ao país por meio da "rota balcânica", no leste da Europa.

Em julho passado, Kurz chegou a sugerir que refugiados e migrantes forçados que desembarcassem na ilha de Lampedusa, no sul da Itália, fossem impedidos de viajar para o continente. 

Após assumir a liderança do ÖVP, o ministro iniciou uma campanha marcada pelo personalismo e pelo discurso de rompimento com a "velha política", embora represente uma das legendas mais tradicionais da União Europeia. /COM AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

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