Áustria faz apelo por testemunhas no caso de incesto

A polícia austríaca fez umapelo na quarta-feira para que cerca de cem pessoas ajudem arecompor os detalhes do caso em que um homem manteve sua filhaencarcerada por 24 anos e teve sete filhos com ela. O delegado Franz Polzer pediu ajuda de todos os moradoresdo quarteirão onde fica a casa de Josef Fritzl, em cujo porãosua filha Elisabeth estava presa desde 1984, na pequenaAmstetten. "Talvez algum [vizinho] tenha visto algo notável nessetempo que possa parecer significativo", disse Polzer ajornalistas. Incrédula, a polícia tenta entender como Frizl conseguiuesconder sua filha sob o nariz dos moradores e autoridades,fazendo com que três dos filhos que teve com ela continuassemmorando no mesmo porão, enquanto outros três foram viver comele e a esposa (um sétimo bebê morreu). A imprensa da Áustria e da Alemanha divulgou fotos e vídeosem que Frizl aparece despreocupadamente fazendo turismo semparentes na Tailândia e em Chipre. De acordo com Polzer, o porão ficava isolado do restante dacasa por uma porta deslizante de concreto. Ali havia cômodosseparados para cozinhar e dormir, além de banheiro, geladeira,freezer e máquina de lavar. "Este equipamento elétrico teria permitido que os ocupantesda masmorra sobrevivessem durante semanas", afirmou. Um rapaz de 18 anos e um menino de 5, que passaram a vidatoda no porão com a mãe, já se reencontraram com os outros trêsirmãos, tirados dali ainda bebês e criados por Josef eRosemarie Frizl. A menina mais velha, de 19 anos, continua em estado gravenum hospital, para onde foi levada na semana passada devido aum distúrbio respiratório. Foi a primeira vez que ela deixou oporão, o que acabou desencadeando o fim do cativeiro familiar. Fritzl está preso e pode ser julgado por estupro, incesto,coação e omissão de socorro. O advogado dele, o renomado criminalista Rudolf Mayer,disse que seu cliente não vai falar à imprensa. (Reportagem adicional de Christian Gutlederer em Viena)

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