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Áustria faz vigília por aniversário de ocupação nazista

Os austríacos acenderam na quarta-feira80 mil velas para homenagear as vítimas do nazismo, na mesmapraça de Viena onde seus antepassados celebraram a ocupaçãonazista do país, há 70 anos. A vigília silenciosa na enorme Heldenplatz (praça dosHeróis) foi o clímax de uma semana de eventos alusivos à"Anschluss" (anexação) da Áustria pela Alemanha nazista, um dosfatos que levaram à Segunda Guerra Mundial. "Acho que as pessoas não quiseram permitir que esseaniversário passasse passivamente, preferindo em vez dissomandar um recado contra o frenesi nazista de 70 anos atrásneste mesmo lugar", disse Inge Langer, uma mulher demeia-idade, que foi com os filhos. A data reaviva o debate sobre se os austríacos foramvítimas ou cúmplices do nazismo -- tese agora mais prevalente,após décadas de negação. Cada vela simboliza um dos 80 mil austríacos mortos pelosnazistas, sendo 65 mil judeus. O nome de cada vítima conhecidadeve ser projetado num telão na praça, vizinha ao palácioimperial de Hofburg. Adolf Hitler apareceu no balcão de Hoburg em 15 de março de1938, três dias depois da invasão, para formalizar a absorçãoda sua terra pelo Terceiro Reich. Foi aplaudido por centenas demilhares de pessoas. A vigília de quarta-feira, que continua até a madrugada dequinta, é muito menor, mas seus participantes dizem que opropósito é mais nobre. Pesquisa divulgada nesta semana mostrou que 60 por centodos austríacos não gostam de falar do passado nazista. Numasessão parlamentar na quarta-feira, líderes governistasalertaram contra a tentação de minimizar o papel da Áustria nahistória nazista -- ainda mais num momento em que um quarto dosjovens, segundo essa pesquisa, anseiam por "um líder forte". Para Barbara Prammer, presidente do Parlamento, a tese deque o país foi apenas vítima de Hitler já se provou "uma ficçãoda história", mas a Áustria relutou nos últimos anos, segundoela, em "admitir injustiças" e indenizar judeus. "Do ponto de vista do direito internacional, fomos vítimade agressão. Mas isso só foi possível por causa de um númerosignificativo de fanáticos nazistas e simpatizantes nazistasaqui", disse o presidente do país, Heinz Fischer. O governo anunciou a criação de uma sucursal local doCentro Simon Wiesenthal, que se dedica a pesquisar o Holocaustoe caçar criminosos nazistas.

MARK HEINRICH, REUTERS

12 de março de 2008 | 21h08

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