Áustria recorda os 70 anos da anexação nazista

Parlamento faz uma sessão conjunta e velas são acendidas em memória às vítimas do Holocausto

Associated Press,

12 de março de 2008 | 18h22

A Áustria recordou nesta quarta-feira, 12, os 70 anos da tomada do país pelos nazistas alemães. Houve uma sessão conjunta no Parlamento e velas foram acendidas em memória às vítimas do Holocausto, na mesma região em que Adolf Hitler recebeu boas-vindas entusiasmadas em 1938.   Foto: AP   O primeiro-ministro Alfred Gusenbauer e o presidente Heinz Fischer comandaram uma sessão especial no Parlamento, com discursos emocionados sobre a anexação da Áustria por Hitler.   Em anos recentes, o governo austríaco gastou milhões de euros para devolver aos verdadeiros donos os prédios, as obras de arte e outras propriedades tomadas pelos nazistas.   Gusenbauer lembrou aos parlamentares que nenhum valor pode reparar o que foi feito. "Nenhuma compensação pode de algum modo diminuir o mal que os nazistas fizeram com os nossos cidadãos judeus", disse, para acrescentar: "Nada pode desfazer o indesculpável. Posso apenas humildemente implorar aos sobreviventes e aos parentes para aceitarem esse gesto pelo que ele é: uma mera admissão da injustiça que foi feita a vocês".   Do lado de fora do Parlamento, na Heldenplatz, ou Praça dos Heróis, pessoas se reuniriam no início da noite para uma Noite de Silêncio, quando acenderiam 80 mil velas, uma para cada um dos judeus austríacos e outros que morreram em campos de concentração.   Sete décadas atrás, cerca de 1 milhão de austríacos se reuniram nesse mesmo local para saudar a chegada de Adolf Hitler. As celebrações desta quarta-feira foram sombrias, como forma de lembrar aos austríacos os horrores do regime nazista.   Barbara Prammer, presidente da Câmara dos Deputados, lembrou aos parlamentares o fato de que o país dividiu a responsabilidade pelas atrocidades nazistas, por causa de sua cumplicidade. Para ela, a noção de que os austríacos foram de alguma forma forçados a cometer crimes foi uma "ficção" criada após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. "Os nazistas simplesmente não vieram do nada", acrescentou Helmut Kritzinger, presidente do Senado.   Gusenbauer anunciou que o governo construirá um Centro Simon Wiesenthal, em homenagem ao caçador de nazistas morto em 2005. Segundo o primeiro-ministro, a instituição será um centro de pesquisas e servirá como um "memorial para tudo que não pode ser esquecido".   O governo também anunciou nesta quarta-feira que estava tomando a liderança em uma força-tarefa internacional dedicada a lembrar, pesquisar e educar pessoas sobre o Holocausto.   O "Anschluss", ou anexação, foi parte da estratégia para se formar a Grande Alemanha, e ocorreu em 12 de março de 1938, quando as tropas alemãs cruzaram o território austríaco, tomando-o. A ação ocorreu horas depois de o então primeiro-ministro austríaco, Kurt Schuschnigg, ter sido pressionado a desistir dos esforços para manter a independência da Áustria. Três dias depois, Hitler foi saudado pela multidão entusiasmada que se reuniu para recebê-lo na região central de Viena.   Fischer também recordou, porém, que na época muitos austríacos não viam Hitler com bons olhos, enquanto outros chegaram a fugir, desesperados. Mesmo a aliança de direita presente no país atualmente rejeita o passado nazista.

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