Austríaca presa e estuprada pelo pai acompanhou audiência

Fritzl se declara culpado de acusações e pode prisão perpétua; sentença deve sair nesta quinta-feira

Agências internacionais,

18 de março de 2009 | 10h12

Uma pessoa ligada ao julgamento do austríaco Josef Fritzl, que teve sete filhos com uma filha que ele prendeu e abusou em um porão durante 24 anos, confirmou que a vítima, Elisabeth acompanhou as audiências dentro do tribunal nesta semana. Num desdobramento inesperado, Fritzl declarou-se culpado nesta quarta-feira, 18, de todas as acusações pendentes contra ele, inclusive a de homicídio culposo. A reviravolta ocorreu depois de o réu ter ouvido o emocionado depoimento da filha que manteve em cativeiro.

 

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Questionado pelo júri sobre o que o havia levado a mudar de posição, Fritzl disse que foi o depoimento em vídeo de sua filha Elisabeth. Fritzl, os jurados e o restante da corte assistiram a 11 horas de depoimentos gravados de Elisabeth nas audiências de segunda e terça-feira. Autoridades disseram durante a semana que a vítima não quis comparecer ao tribunal para depoimento para não ter de ver Fritzl novamente, mas fontes afirmam que Elisabeth assistiu à audiência anonimamente quando a imprensa foi barrada. Mayer não comentou a informação, mas disse que havia nas galerias pessoas que ele não identificou.

 

Fritzl, que antes se declarava "parcialmente" culpado do crime de estupro, agora o assume plenamente. Na segunda-feira, no início do julgamento em St. Poelten, a oeste de Viena, ele havia admitido o incesto, mas negara o homicídio e o cárcere privado, as duas acusações mais graves. O advogado de Fritzl, Rudolf Mayer, disse a jornalistas que estava "completamente surpreso" com a mudança, mas admitiu que seu cliente ficou comovido com o detalhado relato de Elisabeth. O julgamento deve terminar na quinta-feira.

 

Respondendo a perguntas da juíza Andrea Humer, Fritzl disse que deveria ter levado a sério, em 1996, o fato de que o bebê, nascido de uma gestação gemelar, respirava mal e precisava ser levado imediatamente para um hospital. O bebê acabou morrendo. "Eu esperava que o pequeno sobrevivesse, mas deveria ter feito algo. Não sei por que não ajudei. Simplesmente perdi (a questão) de vista", afirmou. Os promotores disseram que Fritzl estuprava repetidamente sua filha diante dos filhos-netos, usando a moça como sua propriedade. As três crianças no cativeiro, segundo eles, nunca haviam visto a luz do sol até serem libertadas.

 

Ao contrário do que fizera nos dois dias anteriores, Fritzl entrou na quarta-feira no tribunal sem cobrir o rosto com uma pasta azul. Novamente, usava um terno cinza desconjuntado e surrado. Manteve a cabeça baixa ou o olhar fixo adiante, como se ignorando o procedimento judicial. Durante o julgamento, ele tem consultado um psiquiatra regularmente.

 

O advogado declarou ao tribunal que seu cliente tratava a filha e as crianças encarceradas "como uma segunda família", à qual fornecia livros didáticos, brinquedos e até uma árvore de Natal. Mas o advogado admitiu que Fritzl cometeu crimes "monstruosos". O caso veio à tona em abril de 2008, quando a filha mais velha resultante dos estupros, Kerstin, de 19 anos, ficou gravemente doente e teve de ser hospitalizada. Elisabeth e seus seis filhos, três dos quais passaram a vida encarcerados, vivem atualmente em um local não revelado, sob novas identidades. As outras três crianças sobreviventes haviam sido criadas por Fritzl e sua esposa, que acreditou que a filha havia fugido de casa para aderir a uma seita.

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