Austríaca refém por 8 anos diz ''ter pena de seqüestrador''

Natascha Kampusch deu longa entrevista para marcar um ano do fim do seu seqüestro.

Luis Fernando Ramos, BBC

21 de agosto de 2007 | 07h32

A jovem austríaca que passou mais de oito anos em um cativeiro disse em uma longa entrevista exibida nesta segunda-feira por uma emissora de televisão da Áustria que seus "sentimentos de pena pelo seqüestrador aumentaram desde que conseguiu fugir"."Eu tenho cada vez mais pena dele", disse Natascha Kampusch, na cidade espanhola de Barcelona, onde passa férias junto com a irmã.A jovem ainda disse que lamenta a morte de seu algoz, Wolfgang Priklopil. "Ele era apenas uma pobre alma perdida. O que ele me fez foi além do aceitável, algo que não desaparece e que sempre volta nos meus pensamentos. Eu tento trabalhar e viver com isso da melhor maneira possível", acrescentou.Natascha disse, porém, que procura não guardar nenhuma mágoa pelo acontecido. "É como se eu apertasse uma esponja até cair a última gota. Foi o que fiz durante oito anos e é o que estou fazendo agora. Não quero ter nenhuma energia negativa. Não se pode pagar maldade com mais maldade."Natascha ainda disse que não consegue confiar nas pessoas, quase um ano após ter reencontrado a liberdade."Ainda vai demorar muito para que eu consiga confiar em alguém", disse.A austríaca, que desde sua libertação sempre procurou manter uma certa distância da imprensa, concordou em participar de um programa especial neste primeiro aniversário de sua fuga, que se completa na quinta-feira, com a condição de que fosse o último."Eu quero que meu caso e eu mesma sejamos levados a sério, que estes acontecimentos não sejam varridos para debaixo do tapete", afirmou a jovem.Segundo Natascha, sua recuperação depois do seqüestro tem sido positiva, apesar de ela ainda sofrer suas conseqüências. "No início, eu sempre me assustava quando alguém falava comigo ou quando ouvia um barulho alto. Agora, estou melhorando sucessivamente, mas ainda sou um pouco assustada e sofro de problemas circulatórios", afirmou a jovem.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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