Austríaca seqüestrada estréia programa de TV no domingo

Natascha Kampusch lança programa entrevistando o campeão mundial de Fórmula 1 Niki Lauda

Agências internacionais,

29 de maio de 2008 | 10h52

O caso de abuso sexual e de incesto recentemente revelado em Amstetten (Áustria) mudou a forma de ver a vida de Natascha Kampusch, a jovem austríaca que passou oito anos e meio seqüestrada em um porão, até conseguir escapar, em 2006. As declarações foram feitas pouco depois de ser revelado que ela fará sua estréia como entrevistadora, no domingo, em um canal privado austríaco de televisão. O primeiro convidado do novo programa será o campeão mundial de Fórmula 1 Niki Lauda.  Segundo a BBC, Natascha vinha manifestando interesse por jornalismo e agora terá seu próprio programa de entrevistas, com o nome de Natascha Kampuch trifft (Natascha Kampusch encontra, na tradução literal), no canal Puls 4. "Depois de tanto tempo em que a mídia falou sobre mim, agora posso criar e oferecer meu próprio conteúdo", diz a austríaca em uma das chamadas do programa. "Meu interesse é por pessoas que encaram o cotidiano com coragem e autoconfiança e, assim, realizam algo de extraordinário."  Nas chamadas, a apresentadora afirma que irá entrevistar personalidades de "arte, cultura, música, literatura, ciência e política", mas Lauda, que hoje é empresário da aviação civil, não se encaixa em nenhuma dessas áreas. O programa terá freqüência mensal, mas o entrevistado do mês de julho ainda não foi definido. Segundo afirmou Natascha à agência de notícias APA, tudo vai depender da repercussão deste primeiro programa.  "Estou ansiosa para ver as reações. Minha conversa com o entrevistado é bem aberta e acabo abrindo um pouco de mim também. Este primeiro programa será decisivo para saber que formato será utilizado e que faixa de público nós iremos atingir", afirmou. A jovem de 20 anos disse ainda que o ponto alto de suas entrevistas será abordar como as personalidades lidam com o assédio da mídia e do público.  Caso Fritzl O caso de Elisabeth Fritzl, que foi seqüestrada por seu próprio pai aos 18 anos, e passou 24 anos presa em um porão, submetida a incontáveis estupros, que resultaram em sete filhos, levou-a a refletir muito, explicou Kampusch em uma entrevista ao semanário News. "Cheguei à conclusão de que sou muito jovem, e de que não adianta nada eu me trancar em casa como uma avó e agir de forma pessimista", explicou a jovem, após ter comparado seu caso ao de Elisabeth. "Tenho a maior parte da minha vida pela frente e gostaria de ser feliz. Não quero voltar a ficar isolada: já fiquei durante oito anos", acrescentou. A jovem, atualmente com 20 anos, e que foi seqüestrada quando tinha apenas 10, passou grande parte do tempo em um cativeiro localizado embaixo da casa de seu seqüestrador, de onde só conseguiu escapar, por conta própria, em agosto de 2006. Ela também criticou as pessoas que antes "haviam dito tolices sobre seu caso". "Digo para aqueles que falavam que minha vida no porão foi um passeio, e que agora, de fato, sou famosa. Essas pessoas deveriam trancar-se durante uma semana em um quarto de 20 metros quadrados", falou. A mudança em sua forma de ver a vida foi resumida quando ela disse que "está tentando se libertar pela segunda vez" e que "cada novo dia é uma folha em branco, vazia, que pode ser preenchida". Kampusch confirmou também o que seus advogados já haviam informado: que ela é a proprietária da casa - a que solicitou como indenização - de seu seqüestrador, Wolfgang Priklopil. Eles também disseram que ela chegou a ir à casa durante o período em que esteve seqüestrada. "Estive na casa para resolver algumas coisas sem importância. Fiquei um pouco surpreendida ao ver o que a Polícia Criminal fazia no local. Há por todos os lados enormes buracos na parede", disse. Sobre sua vida diária, Natascha disse ter a sensação de que as pessoas começam a vê-la com normalidade, e não como "uma extraterrestre". A jovem confessa que continua sem namorado e à espera de que apareça um "príncipe encantado", embora se declare muito cautelosa - até um pouco paranóica - com os temas relacionados ao amor. "O principal problema é que continuo achando que os meninos só se aproximam de mim pelo fato de eu ser famosa", disse.

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