Austríaco confessa que prendeu e cometeu abusos contra filha

Filha de Fritzl disse que teve 7 filhos com o pai e que sofria abusos desde os 11 anos de idade

Agências internacionais

28 de abril de 2008 | 07h53

O austríaco de 73 anos Josef Fritzl, confessou ter mantido sua filha, Elisabeth, agora com 42 anos, presa no sótão de sua casa por 24 anos com mais três crianças. Ele admitiu ainda ter cometido abuso sexual sistematicamente e ter tido sete filhos com ela, segundo indicaram fontes judiciais nesta segunda-feira, 28.       Veja também:   Natascha Kampusch oferece ajuda a austríaca libertada  Cidade austríaca não entende como ninguém percebeu abusos   A polícia austríaca encontrou uma espécie de "mini-apartamento" no porão da casa de Fritzl, onde ele manteve a filha presa desde agosto de 1984. Elisabeth tinha então 18 anos. O incidente, que deixou em choque a pequena Amstetten, a cerca de 130 quilômetros da capital, Viena, atraiu a atenção da imprensa e deixou muitos austríacos recordando o caso da menina Natasha Kampusch, que passou oito anos em cativeiro.   Segundo o chefe da polícia, Franz Polzer, o acusado se mostrou lúcido e disposto durante o depoimento, mas negou alguns detalhes que tinham sido revelados pela imprensa. Polzer não especificou, porém, quais seriam estes detalhes.  Em entrevista coletiva, o chefe da polícia afirmou ainda que há uma série de perguntas a serem respondidas sobre o caso, especialmente relacionadas a como Josef conseguia alimentar e cuidar de quatro pessoas dentro de um cativeiro de 60 metros quadrados. A polícia também está investigando como ele teria ajudado Elisabeth a dar à luz sete bebês.       De acordo com os depoimentos prestados à polícia, Elisabeth alega ter tido sete filhos de Fritzl - quatro meninos e três meninas, sendo que um morreu após o parto -, hoje com idades entre 5 e 19 anos. Três dos filhos viviam com a mãe no cativeiro e jamais haviam visto a luz do dia. Os outros foram "adotados" por Fritzl e sua mulher, Rosemeire (que aparentemente não sabia do seqüestro). Testes de DNA devem provar se os filhos são fruto de uma relação incestuosa.   O drama de Elisabeth veio à tona quando Fritzl levou Kerstin, de 19 anos, em estado grave, para um hospital em Amstetten. Kerstin era uma das crianças que viviam no cativeiro (os outros são um jovem de 18 anos e um garoto de 5). Os médicos decidiram procurar pela mãe, para ajudá-los a traçar o histórico clínico da jovem. Fritzl, então, decidiu levar Elisabeth até o hospital. Após receber garantias de segurança, ela revelou sua história. Fritzl foi detido no sábado à noite. No domingo, acabou mostrando o local do cativeiro, um porão sujo, pequeno e sem janelas, com pé-direito de 1,70m, composto de quarto, cozinha e banheiro, onde Elisabeth e três dos filhos eram mantidos. A masmorra tinha travas eletrônicas.   A vítima e os filhos que viviam trancados junto com ela estão sob acompanhamento de um grupo de psicólogos. A filha mais velha, Kerstin, de 19 anos, continua hospitalizada em estado de coma.  Os vizinhos e conhecidos da família Fritzl estão chocados com o caso. Todos apontam a família como simpática, especialmente a mulher de Josef e mãe de Elisabeth, Rosemarie Fritzl.   O caso ainda tem vários pontos obscuros. Até agora, a esposa de Fritzl acreditava que Elisabeth havia saído voluntariamente de casa em 1984. E só teria voltado em três oportunidades, quando abandonou os filhos recém-nascidos na porta da casa dos pais, juntamente com uma carta na qual explicava não ter condição de educá-los. Fritzl a convenceu de que a filha havia aderido a uma seita.   O porta-voz da polícia, Franz Polzer, disse que chegou ao porão depois que Josef informou um código para destravar as portas."Não havia apenas um, mas vários quartos", disse ele. "Um para dormir, um para cozinhar, havia também instalações sanitárias." Segundo ele, o local tem chão irregular. Um corredor "muito estreito" leva a uma porta "muito pequena", que obriga uma pessoa a se abaixar para entrar, ele descreveu. "Tudo é muito, muito estreito e a própria vítima, a mãe dessas seis ou sete crianças, nos disse que o espaço ia sendo continuamente ampliado ao longo dos anos", informou Polzer.   Quando Elisabeth desapareceu, em 28 de agosto de 1984, seus pais receberam uma carta escrita à mão em sua caligrafia, pedindo-lhes que parassem de procurá-la. Na época, as autoridades assumiram que ela havia fugido de casa. Naquele dia, na verdade, Josef tinha conseguido atrair sua própria filha para o porão, drogando-a e algemando-a antes de trancá-la, de acordo com o depoimento da vítima à polícia.   Caso Natascha   Em agosto de 2006, a fuga de Natasha, uma jovem de 18 anos, de um cativeiro onde havia ficado presa desde os 10 anos, já havia chocado a opinião pública mundial. O engenheiro Wolfgang Priklopil, de 44 anos, suicidou-se ao descobrir que sua prisioneira havia fugido.   (Com BBC Brasil e agências internacionais)

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