Austríaco que prendeu a filha pode responder por homicídio

Fritzl deve ser acusado por omissão de socorro de um dos filhos que teve com Elizabeth, detida por 24 anos

Efe,

04 de setembro de 2008 | 10h06

Josef Fritzl, o aposentado austríaco de 73 anos acusado de trancar em um porão e abusar sexualmente durante 24 anos da filha Elisabeth, poderá ser acusado de homicídio por omissão de socorro, após um relatório pericial indicar que um dos bebês nascidos do incesto sobreviveria se tivesse recebido atendimento médico. Segundo a edição desta quinta-feira, 4, da revista austríaca News, este é o resultado da perícia feita por especialista em fetos e recém-nascidos a pedido da Promotoria. A revista afirma que o documento diz que o bebê, gêmeo de outro que sobreviveu, nasceu com graves problemas de saúde, sofrendo com dificuldades respiratórias que foram se agravando durante as 70 horas em que viveu. A perícia se baseou nas declarações de Elisabeth, que hoje tem 42 anos e foi trancada pelo pai quando tinha 18, embora tenha assegurado que os abusos sexuais haviam começado sete anos antes. Segundo Elisabeth, logo após Michael - nome que deu ao bebê que morreu - nascer, percebeu que "algo não estava bem" com o recém-nascido. De acordo com a News, a mulher disse que seu pai, e também pai da criança, não reagiu diante dos evidentes problemas de saúde do bebê. Setenta horas depois do parto, Michael morreu. Esta versão contrasta com a apresentada pelo acusado. Fritzl disse que não assistiu ao parto, não visitou sua filha no porão logo após o nascimento e não soube que havia sido pai de gêmeos até que a criança já estivesse morta e sua filha lhe entregasse o cadáver para que o enterrasse. Fritzl incinerou o corpo do bebê na caldeira da casa. O relatório pericial abre as portas para uma nova acusação contra Fritzl, preso desde que o caso veio à tona, em abril. A nova acusação, com penas que podem chegar à prisão perpétua, se uniria as já existentes de privação de liberdade, incesto e estupro. Além disso, a Promotoria estuda a possibilidade de acrescentar o delito de escravidão à lista de acusações. O julgamento deve começar antes do final do ano.

Tudo o que sabemos sobre:
ÁustriaincestoJosef Fritzl

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.