Dominic Ebenbichler/Reuters
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Austríacos debatem o que fazer com a casa onde Hitler nasceu

Prédio já abrigou uma biblioteca, um banco, salas de aula e um workshop de uma organização filantrópica

Reuters

24 de setembro de 2012 | 15h26

VIENA - Uma sugestão para transformar a casa na Áustria na qual Adolf Hitler nasceu em um espaço residencial comum provocou um debate no país sobre como usar uma propriedade vazia ainda carregada com uma forte bagagem histórica décadas depois do fim da Segunda Guerra Mundial. O homem que se tornou ditador nazista nasceu na casa na cidade de Braunau am Inn, perto de Salzburgo, na fronteira com a Alemanha, em abril de 1889.

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A família viveu ali apenas três anos, mas a ligação dele com o edifício de três andares deixou uma marca indelével. Atualmente uma aposentada é dona da propriedade, que vem sendo alugada pelo Ministério do Interior austríaco desde 1972 e sublocada para Braunau.

De acordo com notícias da mídia, o prédio - que era uma hospedaria quando a família de Hitler alugou o espaço ali - já abrigou uma biblioteca, um banco, salas de aula e mais recentemente um workshop de uma organização filantrópica para pessoas deficientes, que se mudou há um ano. A questão sobre o que fazer com o imóvel agora expõe as divisões entre aqueles que desejam salientar o seu passado e aqueles que querem virar a página de um capítulo inglório da história local.

O prefeito de Braunau, Johannes Waidbacher, provocou polêmica ao propor em uma entrevista a um jornal transformar a casa em uma residência comum. "Você tem de perguntar no geral se faz sentido um outro memorial do Holocausto quando já há muitos por aqui", disse o prefeito, nascido 21 anos depois do fim da guerra, ao Der Standard.

"De qualquer forma, somos estigmatizados. Hitler passou os primeiros três anos de sua vida na cidade e certamente não foi a fase mais formativa da vida dele. Nós, como cidade de Braunau, não estamos, portanto, preparados para assumir a responsabilidade pela eclosão da Segunda Guerra Mundial", disse ele na semana passada, segundo o jornal.

Em uma declaração feita nesta segunda-feira, 24, Waidbacher recuou um pouco, dizendo que "não se pode permitir nunca que essa casa se transforme em um santuário para os intransigentes", mas também ressaltou que a cidade tem poder limitado. "No final, a decisão cabe ao Ministério do Interior e à proprietária", acrescentou ele.

Um porta-voz do Ministério do Interior disse que nenhuma decisão tinha sido tomada ainda, acrescentando que a coisa mais importante é evitar que o "mal" neonazista frequente o local. Ele afirmou que não há planos para deixar que a propriedade seja usada como residência. A identidade da proprietária não foi divulgada.

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