Autonomia de separatistas da Geórgia é inaceitável, dizem EUA

Parlamento russo reconhece independência de províncias; Casa Branca diz que 'revisará relações' com Moscou

Agências internacionais,

25 de agosto de 2008 | 15h11

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Robert Wood, disse nesta segunda-feira, 25, que é "inaceitável" o reconhecimento, pelo Parlamento da Rússia, das declarações de independência das províncias separatistas da Geórgia, Ossétia do Sul e Abkházia. "Para nós, isso é inaceitável. A Rússia precisa respeitar a integridade territorial e a soberania da Geórgia", afirmou o porta-voz.   Veja também: Câmara russa reconhece regiões separatistas Entenda o conflito separatista na Geórgia   A posição americana contrasta com outra adotada por Washington há poucos meses, quando os EUA e seus aliados europeus reconheceram o direito da província de Kosovo de tornar-se independente da Sérvia. Na ocasião, a Rússia se opôs à independência de Kosovo e argumentou que ela estabeleceria um precedente para os casos da Ossétia do Sul e da Abkházia, que têm população predominantemente russa.   Ainda nesta segunda-feira, a Casa Branca anunciou que enviará o vice-presidente americano, Dick Cheney, para a Geórgia em 2 de setembro, com escalas na Ucrânia, Azerbaijão e Itália. Em Tbilisi, Cheney irá se reunir com Saakashvili.   Em uma votação unânime, a Duma (Câmara dos Deputados russa) pediu nesta segunda-feira para que o presidente russo, Dmitri Medvedev, reconheça a independência das regiões separatistas. A decisão dos parlamentares ainda precisará da ratificação do Kremlin - algo que o governo pode atrasar enquanto negocia outras questões com os países ocidentais.   Os deputados qualificaram de "agressão bárbara" as ações do governo da Geórgia no início de agosto contra a Ossétia do Sul, na qual, segundo as autoridades da região separatista, morreram mais de 2 mil pessoas. Segundo a Duma, a possibilidade de que Geórgia restabeleça sua integridade territorial pela via política não têm nenhuma perspectiva e "esta nova realidade, cedo ou tarde, será reconhecida por toda a comunidade mundial."   Ameaça   Os Estados Unidos "revisarão por completo" sua relação com a Rússia, declarou a Casa Branca, após acusar Moscou de não cumprir o acordo de cessar-fogo no Cáucaso. "Estamos revisando por completo nossa relação com a Rússia, declarou o porta-voz Tony Fratto, acrescentando que "não há duvidas de que a Rússia não cumpriu a trégua" promovida pela França.   As tensões nas regiões se intensificaram depois que Mikhail Saakashvili foi eleito presidente da Geórgia em 2004, com uma promessa de reunificar o país. A ofensiva contra os separatistas da Ossétia do Sul no início dos Jogos de Pequim provocou a retaliação russa, que motivou o conflito que atingiu o Cáucaso nas últimas semanas.   Após a retirada das tropas russas do território georgiano, Moscou insiste em manter as chamadas forças de pacificação nas províncias separatistas com o objetivo de preservar o controle da região. No caso da Ossétia do Sul, se trata de uma região estratégica, já que o oleoduto atravessa o território e transporta o petróleo do Cáucaso para o Ocidente através da Turquia, o que dependeria do fornecimento russo.   (Matéria atualizada às 16h42)

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