Autoridade britânica defende legalização das drogas no país

Comissário da Scotland Yard diz que combate é fracassado pela disponibilidade e baixo preço das substâncias

Efe,

15 de outubro de 2007 | 14h26

Um dos mais antigos comissários-chefes da polícia do Reino Unido, Richard Brunstrom, defendeu nesta segunda-feira, 15, a liberalização do consumo de drogas no país, alegando que as substâncias nunca estiveram tão disponíveis no mercado nem tão baratas como atualmente.   O comissário-chefe da Polícia do Norte de Gales qualificou de "fracasso" o atual combate às drogas, baseado na proibição de seu consumo e distribuição, segundo o jornal The Independent.   "Se a política de drogas deve ser no futuro pragmática e não moralista ou dogmática, será preciso pôr fim à atual posição proibitiva por ser imoral e inviável e substituí-la por um sistema unificado baseado em provas e que inclua o tabaco e o álcool, voltado a minimizar os danos à sociedade", afirmou Brunstrom.   Em sua proposta polêmica, o comissário-chefe do Norte de Gales ressalta que, só na Escócia, 13 mil pessoas morreram em decorrência do tabaco e outras 2.052 por causa do álcool. Já as drogas ilícitas causaram a morte de 356 pessoas.   A legalização e regulação que o comissário-chefe propõe ajudaria o governo a "reduzir drasticamente a criminalidade relacionada com as drogas", afirmou. "Também permitiria dedicar muitos fundos que hoje são empregados no combate a esta criminalidade a programas de redução do consumo e tratamento dos viciados", acrescentou Brunstrom.   Segundo Brunstrom, o consumo de drogas na Inglaterra e em Gales custa cerca de 17 bilhões de libras (25 bilhões de euros) ao ano, dos quais 90% correspondem a atividades criminosas.   As propostas do comissário não serão bem recebidas pelo governo trabalhista, segundo o jornal, que lembra que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, afirmou neste ano que o atual combate aos entorpecentes seria intensificado. A oposição conservadora também se opõe a liberalização e pede a criação de uma polícia de fronteiras especializada em impedir que as substâncias entrem no país.   Na opinião do chefe da polícia, a proibição gerou uma crise no sistema penal, desestabilizou países inteiros - os produtores - e corroeu os direitos humanos no mundo todo.   A pena máxima por posse de um narcótico do tipo A, considerado mais perigoso, como cocaína ou heroína, é de 14 anos de reclusão, enquanto o tráfico de entorpecentes pode ser punido com prisão perpétua.

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